Marinho diz que STF blinda Moraes e chama adiamento de “muito grave”
Líder da oposição no Senado, Rogério Marinho criticou o pedido de vista de Flávio Dino sobre a abertura de inquérito contra Alexandre de Moraes. A decisão poderá levar até 90 dias e reacendeu o confronto político e regimental no STF.

Divulgação
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, criticou nesta terça-feira (15) o pedido de vista apresentado no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a abertura de um inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes. Para Marinho, a manobra regimental cria obstáculos à análise do caso e contribui para blindar o colega de Corte.
Decisão poderá levar até 90 dias
O pedido foi feito pelo ministro Flávio Dino depois de uma longa sessão dedicada a uma questão de ordem. Pelo regimento interno do STF, Dino poderá devolver o processo em até 90 dias. O prazo aumenta a possibilidade de a análise ser concluída apenas depois das eleições de outubro.
Marinho sustentou que a discussão não trata do mérito da investigação, mas do rito que deve ser adotado: se os procedimentos relacionados ao caso serão analisados em conjunto ou separadamente. Na avaliação do senador, a postergação favorece novos vazamentos, amplia a instabilidade e produz um “tumulto judicial”.
Marinho acusa a Corte de blindagem
“O que está sendo colocado para a sociedade brasileira, em televisão, todo mundo assistindo, no Brasil inteiro, é que há uma tentativa de blindar o ministro e impedir que ele possa dar satisfação de seus atos. Isso é muito grave”, afirmou o líder da oposição. A investigação examina a relação de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Marinho também defendeu a atuação do ministro André Mendonça. Segundo o senador, Mendonça agiu dentro do rito processual ao pedir autorização à Corte para iniciar a apuração com base em relatório da Polícia Federal. Ele ressaltou que Alexandre de Moraes, caso se torne investigado, terá assegurado o direito à ampla defesa.
Placar divide o plenário do STF
Antes do pedido de vista, o plenário discutiu proposta de Gilmar Mendes, que apontou supostos erros de procedimento atribuídos a Mendonça e defendeu analisar o caso na semana seguinte, junto com um pedido de suspeição contra o ministro. A questão de ordem foi rejeitada por 4 votos a 3. Votaram contra André Mendonça, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Luiz Fux. Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes votaram a favor. Dias Toffoli estava impedido por suspeição, e Nunes Marques também não participou.
A sessão foi marcada por uma sequência de críticas entre os ministros. Gilmar Mendes e André Mendonça trocaram acusações e se classificaram mutuamente como levianos. No fim da tarde, enquanto o embate continuava, Flávio Dino pediu vista do processo. Cármen Lúcia ainda apresentou voto sobre a questão de ordem antes de o julgamento ser interrompido.
Oposição pressiona presidência do Senado
Paralelamente ao embate no STF, Marinho voltou a pedir que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), convoque os senadores para garantir o funcionamento efetivo da Casa. A bancada de oposição tentou realizar uma reunião de líderes no fim de semana, mas não conseguiu concluir a articulação. A cobrança ganha força em meio ao crescimento da disputa política em torno dos rumos da investigação.
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