Pt rebate Celina e diz que aval federal ao Brb nunca foi negociado
Partido nega tratativas entre União e Distrito Federal sobre garantia ao Banco de Brasília. Celina Leão pretende recorrer à CVM contra declarações de Lula sobre a crise na instituição.

Divulgação
PT nega tratativa sobre aval federal
O PT divulgou, neste sábado (19), uma nota afirmando que não houve negociação entre a União e o governo do Distrito Federal sobre um possível aval federal ao BRB, Banco de Brasília. A manifestação responde às declarações da governadora Celina Leão (PP), que anunciou a intenção de acionar a Comissão de Valores Mobiliários contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na avaliação do partido, a posição do governo federal sempre foi contrária à concessão da garantia. O PT sustenta que existem dois impedimentos objetivos: a crise teria origem em investigações criminais e o Distrito Federal apresentaria deterioração da capacidade de pagamento. Para a legenda, a União não pode assumir o risco de uma operação cujas contas detalhadas não foram disponibilizadas de forma completa.
FGC e bancos conduzem tratativas
O PT afirma que as conversas em andamento ocorrem apenas entre o Fundo Garantidor de Créditos e instituições financeiras. Segundo a nota, não haveria objeto de negociação com o governo federal, pois a União não pretende se tornar fiadora do BRB. O partido acusa Celina de tentar obter judicialmente a transferência da responsabilidade financeira para os cofres federais.
A legenda também relaciona a crise à compra de carteiras de crédito do Banco Master. O PT cita transferências de aproximadamente R$ 12,2 bilhões em operações de cessão de crédito realizadas entre dezembro de 2024 e maio de 2025. Segundo o partido, os recursos foram enviados mesmo após alertas formais, relatórios de risco e pareceres contrários de áreas técnicas.
Falta de balanços amplia questionamentos
O partido considera as carteiras adquiridas fraudulentas e menciona investigações da Polícia Federal. O ex-presidente do BRB foi preso por determinação do Supremo Tribunal Federal e é investigado sob a suspeita de receber R$ 146,5 milhões em propina para viabilizar o negócio. As acusações ainda precisam ser apuradas e julgadas pelas autoridades competentes.
O PT sustenta ainda que o banco não publicou um balanço completo capaz de mostrar a extensão real do problema. Sem esses documentos, afirma a legenda, não é possível avaliar com segurança o passivo, o ativo, a liquidez e a situação patrimonial da instituição. O BRB pode ter acumulado cerca de R$ 3 milhões em multas pelo atraso na divulgação dos balanços de 2025.
Celina pretende recorrer à CVM
A governadora entende que declarações de Lula sobre o BRB provocaram insegurança entre investidores e correntistas e podem configurar infração às regras do mercado de capitais. O presidente, por sua vez, afirmou que Celina tenta transferir para a União a responsabilidade pela crise e classificou como cínicas e mentirosas as cobranças feitas ao governo federal.
A disputa política ganhou novo capítulo após a divulgação de mensagens atribuídas a Vorcaro nas quais Celina, então vice-governadora, teria participado das negociações entre BRB e Banco Master. A governadora nega envolvimento na operação e afirma que sempre foi contrária ao negócio. Na sexta-feira (18), ela também alegou que as críticas de Lula refletem um tratamento diferenciado por ser mulher e disse não aceitar intimidação.
Aliados rebatem a versão do partido
Aliados de Celina contestam a afirmação de que nunca houve conversas com a União. Eles citam um acordo firmado no início de 2026 e homologado pelo Supremo Tribunal Federal, que teria como objetivo criar condições para o fortalecimento de capital do banco, dentro das regras do sistema financeiro. Para o grupo, o documento comprova a existência de tratativas entre as partes.
A assessoria da governadora não apresentou uma resposta específica sobre a nota do PT. O episódio mantém aberta a disputa sobre os limites da responsabilidade federal, a transparência das contas do BRB e as consequências políticas e financeiras da crise no banco controlado pelo Distrito Federal.
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