Flávio diz que Lula tenta “comprar voto dos pobres” com Bolsa Família
Durante comício em Joinville, Flávio Bolsonaro criticou o reajuste de 15,04% do Bolsa Família anunciado a 17 dias do 1º turno. O governo afirma que a correção repõe a inflação acumulada e está prevista em lei.

Divulgação
Acusação na reta final da campanha
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, neste sábado (19), que o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é uma tentativa de “comprar o voto dos mais pobres”. A declaração foi feita durante um comício em Joinville, em Santa Catarina, a 17 dias do 1º turno das eleições.
Flávio classificou a medida como um “ato de desespero” e sustentou que a decisão foi motivada pelo momento eleitoral. “O Lula fez uma confissão quando aumentou o Bolsa Família. Ele deu a prova de que não pensa no povo brasileiro, mas apenas nele”, afirmou o senador durante o ato de campanha.
Reajuste de 15,04% no benefício
Em 17 de setembro, o governo federal anunciou aumento de 15,04% nos valores do Bolsa Família. Com a mudança, o piso mensal passa de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio pago às famílias sobe de R$ 675 para R$ 777. A primeira parcela com o novo valor está marcada para 19 de outubro.
O Executivo informou que a correção corresponde à reposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acumulada entre 2023 e agosto de 2026, conforme a regra legal do programa. Segundo o governo, a medida terá custo de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de aproximadamente R$ 22 bilhões em 2027, sem exigir créditos extraordinários no Orçamento.
Flávio defende que correção chegou tarde
O candidato do PL argumenta que a proximidade com o pleito reforça o caráter eleitoreiro da decisão. Segundo ele, Lula poderia ter reajustado o benefício ainda em 2023, no primeiro ano de seu mandato, ou antes do envio da proposta orçamentária referente a 2027.
“Se ele pensasse no povo brasileiro, tinha feito isso lá em 2023. Podia ter feito há duas semanas, quando enviou o Orçamento para o ano que vem, mas não fez. Viu as pesquisas e tentou comprar o voto dos mais pobres, dando R$ 90 de reajuste ao Bolsa Família”, declarou Flávio.
Benefício deve ser mantido caso Flávio seja eleito
Apesar das críticas, o senador garantiu que manterá o reajuste se for eleito presidente. Ele também informou que não pretende acionar a Justiça Eleitoral contra a medida anunciada pelo governo federal.
Flávio voltou a relacionar o valor do benefício à alta dos preços. “O Lula dá com uma mão e tira com a outra. Finge que está ajudando os pobres, mas gasta muito, aumenta a inflação, deixa tudo caro e os R$ 600 não compram mais nada”, afirmou após o comício.
O episódio coloca o Bolsa Família no centro da disputa eleitoral. De um lado, o governo apresenta o reajuste como correção monetária prevista em lei. Do outro, a oposição interpreta o timing da medida como uma manobra para influenciar eleitores beneficiários do programa em um cenário de disputa acirrada pela Presidência.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








