Produtora de “Dark Horse” afirma ter entregue mais de 20 mil laudas à PF
Defesa de Karina Gama diz que ela colaborou espontaneamente com a Operação Make Up e entrou com reclamação constitucional no STF para questionar aspectos processuais da investigação sobre o financiamento do filme.

Divulgação
A produtora Karina Ferreira da Gama entregou mais de 20 mil laudas de documentos à Polícia Federal antes da Operação Make Up, deflagrada na quinta-feira (10). A informação foi divulgada por sua defesa, que afirma ter havido colaboração espontânea com as investigações sobre a origem e o uso dos recursos destinados ao filme “Dark Horse”.
Defesa destaca cooperação com a investigação
Os advogados de Karina informaram que ela atendeu, na sexta-feira (4), a uma solicitação da Polícia Federal e forneceu volumosa documentação relacionada ao caso. Para a defesa, a entrega antecipada dos materiais demonstra “boa-fé e lealdade processual” e deve ser considerada no acompanhamento dos atos investigativos.
Karina é proprietária da Go Up Entertainment, produtora responsável por “Dark Horse”, e preside o Instituto Conhecer Brasil. Ela e as duas instituições já haviam sido alvo de apurações envolvendo contratos públicos e o financiamento do longa, que trata da trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Reclamação constitucional é apresentada ao STF
Na quinta-feira, a defesa protocolou uma reclamação constitucional na jurisdição criminal da Presidência do Supremo Tribunal Federal. Segundo os advogados, o pedido não discute o mérito da investigação. O objetivo é questionar aspectos processuais da operação e preservar a autoridade de decisões da Presidência do STF, além da competência do juiz natural.
Em nota, a defesa afirmou: “Acreditamos em nossas instituições e confia-se na Suprema Corte para a plena garantia do devido processo legal”. A manifestação reforça a estratégia jurídica de separar a colaboração prestada à Polícia Federal das discussões sobre legalidade, competência e procedimentos adotados na operação.
PF apura suspeitas de direcionamento de recursos
A Operação Make Up investiga possíveis irregularidades no financiamento de “Dark Horse”. A Polícia Federal afirmou que as apurações indicam a existência de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar valores recebidos a empresas subcontratadas de maneira irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados.
Segundo a corporação, eventuais tentativas de dissimular desvios teriam ocorrido até julho. As acusações ainda serão analisadas no curso da investigação e não significam condenação. A defesa de Karina nega irregularidades na postura processual de sua cliente e busca respostas do STF sobre os limites da atuação das autoridades no caso.
Investigação ganha repercussão política
O financiamento do filme voltou à atenção pública após o conteúdo extraído de aparelhos celulares de Jorge Francisco Guimarães Silva, o Vorcaro, apreendidos na Operação Compliance Zero. Em uma das conversas, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece em um áudio pedindo dinheiro ao empresário para bancar a produção.
O episódio passou a integrar o cenário eleitoral, uma vez que Flávio Bolsonaro é apresentado como um dos principais adversários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca um quarto mandato. A partir das mensagens atribuídas a Vorcaro, diferentes pedidos de investigação foram encaminhados ao Supremo, ampliando o exame sobre contratos, repasses e responsabilidades envolvendo a produção cinematográfica.
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