Premiê da Dinamarca diz que acordo com EUA não ameaça soberania da Groenlândia
Mette Frederiksen afirmou que o acordo de defesa com os Estados Unidos preserva a soberania dinamarquesa e o direito à autodeterminação do povo groenlandês. Texto ainda será assinado na Assembleia Geral da ONU.

Divulgação
A premiê da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou neste sábado (19) que o acordo firmado com os Estados Unidos não compromete a soberania sobre a Groenlândia. O texto, anunciado na sexta-feira (18) pelo presidente norte-americano, Donald Trump, prevê que os EUA assumam o controle permanente das operações de segurança e defesa da ilha.
Segurança compartilhada no Ártico
Frederiksen defendeu que o acordo fortalece a segurança conjunta no Ártico e na região do Atlântico Norte, com reflexos positivos para a OTAN e para a Europa. Para a premiê, a negociação também reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino da Dinamarca, além do direito do povo groenlandês à autodeterminação.
Presença militar por tempo indeterminado
Trump classificou a negociação como um acordo de “duração infinita”. Segundo o presidente dos EUA, o arrangemento não terá custos para os cofres americanos e permitirá que o país opere livremente na Groenlândia por tempo indeterminado.
Ainda não foram divulgados detalhes sobre o tamanho da presença militar norte-americana, as bases que serão utilizadas ou a extensão dos poderes concedidos a Washington. Também não está claro se haverá alguma transferência formal de autoridade política externa relacionada ao território.
Assinatura na Assembleia da ONU
A assinatura do acordo está prevista para a próxima semana, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, marcada de 22 a 28 de setembro. O encontro deve transformar em documento formal uma negociação acompanhada com atenção por aliados europeus e por países interessados no futuro estratégico do Ártico.
Trump afirmou ainda que nenhuma nação considerada adversária dos Estados Unidos poderá instalar bases militares, manter tropas ou realizar investimentos em setores sensíveis da Groenlândia sem autorização prévia e por escrito do governo norte-americano. A medida daria a Washington poder decisivo sobre a presença militar e econômica de terceiros no território.
Tensões e receios na região
O acordo encerra meses de pressão de Trump sobre a Groenlândia, ilha cobiçada por sua posição estratégica, rotas marítimas, recursos naturais e potencial militar. O presidente norte-americano buscava ampliar o controle sobre a área para construir um escudo antimísseis chamado “Domo de Ouro”.
Apesar das garantias apresentadas por Frederiksen, moradores demonstraram receio de que a influência dos EUA possa limitar a autonomia local e interferir no futuro da ilha. A falta de detalhes sobre o acordo alimenta a incerteza e deve manter o debate sobre soberania, defesa e autodeterminação no centro das discussões diplomáticas.
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