Fala de Mendonça pode fortalecer Gonet no conselho do Mpf
A declaração do ministro André Mendonça sobre a ausência de provas robustas contra Paulo Gonet pode reforçar a defesa do procurador-geral diante do Conselho Superior do Ministério Público Federal.

Divulgação
Declaração pode influenciar análise do CSMPF
A avaliação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, poderá pesar na análise marcada para 25 de setembro no Conselho Superior do Ministério Público Federal. Durante sessão realizada em 15 de setembro, Mendonça afirmou não ter identificado provas robustas contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, no relatório da Polícia Federal sobre o caso Banco Master. O colegiado examinará uma representação do Novo que contesta a permanência de Gonet à frente das investigações.
Desde que seu nome foi citado no relatório divulgado em 1º de setembro, Gonet sustenta que as menções não têm relevância penal e não demonstram impedimento para conduzir o caso. Na defesa apresentada ao conselho, o procurador-geral pediu a anulação de atos que deram base à investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Ele também negou proximidade com Daniel Vorcaro e qualquer interferência em favor do fundador do Banco Master.
Contatos em Londres e viagem do filho
Gonet informou ao Conselho Superior que encontrou Vorcaro pessoalmente apenas uma vez, em abril de 2024, durante um evento em Londres. Também reconheceu uma breve conversa telefônica, intermediada pelo advogado Ciro Soares, em março de 2025. Segundo a versão apresentada pela Procuradoria-Geral da República, o encontro de 2024 contou com a presença de autoridades como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Jorge Messias e Andrei Rodrigues.
Documentos analisados no procedimento indicam que o Banco Master patrocinou o fórum e que Vorcaro custeou uma degustação de uísque Macallan da qual Gonet participou com outras autoridades. O procurador-geral afirmou que o banco não aparecia como patrocinador nas informações sobre o evento disponíveis para ele. O relatório da Polícia Federal também reproduziu mensagens que indicariam um pedido de custeio da viagem de seu filho para outro encontro em Londres, em 2025. Gonet negou a solicitação, informou que não houve convite formal e destacou que o filho não viajou. A edição daquele ano foi cancelada.
Reorganização interna e rito no conselho
Na mesma manifestação, Gonet informou que o vice-procurador-geral e dois subprocuradores-gerais passaram a atuar diretamente no caso em 11 de setembro. A medida reforça a tese da defesa de que as investigações vêm sendo conduzidas de forma institucional e colegiada. Para a Procuradoria-Geral da República, as referências ao nome do chefe do Ministério Público Federal não justificam seu afastamento das apurações.
O procedimento no Conselho Superior do Ministério Público Federal tem como relator o subprocurador-geral Francisco de Assis Vieira Sanseverino, chefe da 2ª Câmara de Coordenação e Revisão, responsável pela área criminal. Pela Lei Complementar 75, de 1993, o colegiado deve designar um subprocurador-geral para examinar inquéritos, peças de informação ou representações sobre crimes comuns atribuídos ao procurador-geral da República. Caso encontre elementos suficientes, o integrante designado poderá propor ação penal. A decisão de 25 de setembro poderá definir não apenas a continuidade de Gonet no caso, mas também os desdobramentos da disputa sobre a validade das provas usadas na investigação.
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