PF aponta laços de amizade entre Castro e Vorcaro em investigação sobre o Banco Master
Relatório da Polícia Federal descreve proximidade entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro e relaciona encontros a aportes do Rioprevidência no Banco Master. Investigações também questionam nomeações e mudanças na política de investimentos.

Divulgação
Relatório registra proximidade pessoal
A liberação do sigilo das investigações sobre o caso Master pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, revelou detalhes sobre a relação entre o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O relatório da Polícia Federal descreve laços de amizade entre os dois e aponta coincidência temporal entre encontros e aportes do Rioprevidência na instituição financeira.
As mensagens apreendidas mostram tratamento informal. Em dezembro de 2024, Vorcaro elogiou Castro por uma apresentação em uma missa. Meses depois, convidou o então governador para uma feijoada em sua casa. Em outra ocasião, Castro informou que passaria pelo camarote do empresário, e Vorcaro ofereceu apoio para retirá-lo da entrada e levá-lo ao local reservado.
Encontros e aportes aparecem na mesma linha do tempo
A Polícia Federal mapeou uma sequência de reuniões entre Castro e Vorcaro antes e depois das aplicações feitas pelo Rioprevidência, fundo responsável pelas aposentadorias e pensões de servidores públicos do Rio. Segundo a investigação, os investimentos chegaram a R$ 3,7 bilhões e foram realizados em nove aportes entre novembro de 2023 e julho de 2024.
A cronologia apresentada pela PF inclui um jantar em Nova York pago por Vorcaro em maio de 2023, com custo informado de R$ 66 mil. Outro encontro ocorreu em julho, três meses antes do primeiro aporte. Em novembro, os dois se reuniram poucos dias depois da aplicação inicial. Houve novos contatos em março, maio e julho de 2024, incluindo reuniões em Nova York e uma degustação de bebidas.
Para os investigadores, eventos restritos prestigiados por Castro eram sucedidos por aplicações expressivas do Rioprevidência em letras financeiras e fundos apresentados pelo Banco Master. O relatório considera essa sequência um indício de articulação, embora as acusações ainda dependam de análise judicial e do contraditório.
Nomeações antecederam credenciamento do banco
A investigação também examina três nomeações feitas por Castro no Rioprevidência entre julho e outubro de 2023. Deivis Marcon Antunes assumiu a diretoria-geral, Euchério Lerner Rodrigues ficou à frente da diretoria de Investimentos, e Pedro Pinheiro Guerra Leal tornou-se gerente da área.
Segundo dados do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro citados no relatório, Rodrigues foi nomeado em 4 de outubro de 2023, mesma data em que o Banco Master solicitou formalmente o credenciamento para receber recursos do fundo. Pedro Leal abriu a análise do procedimento naquele dia. Doze dias depois, informou que a instituição atendia aos requisitos necessários.
A PF sustenta que os três gestores ocupavam posições capazes de decidir sobre o credenciamento, a análise técnica e a aprovação dos investimentos. O relatório afirma que eles teriam sido escolhidos para facilitar uma gestão fraudulenta e permitir aplicações irregulares de recursos previdenciários.
PF questiona mudança no perfil conservador
De acordo com a investigação, o Rioprevidência historicamente aplicava seus recursos em renda fixa e ativos de baixo risco, following a policy intended to preserve the actuarial balance of the fund. The police report says the decisions related to Banco Master operations contradicted that conservative pattern and included irregularities in the handling of financial instruments.
A PF afirma que os gestores nomeados por Castro deram guarida a decisões que beneficiaram o Banco Master e operaram os investimentos de forma contrária às normas internas. O relatório descreve o processo como um conjunto de irregularidades e sustenta que houve intenção de direcionar recursos públicos para a instituição financeira.
Acusados não apresentaram manifestação
A assessoria de Cláudio Castro foi procurada pela reportagem para comentar as acusações, mas não enviou resposta até o fechamento desta edição. A reportagem também solicitou manifestação a Deivis Antunes, Euchério Rodrigues e Pedro Leal, sem sucesso. As investigações continuam sob análise da Justiça.
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