Novo atribui desempenho de Zema a "voto útil" em Flávio Bolsonaro
Presidente do partido explica que eleitorado de direita buscou concentrar votos para derrotar o PT no primeiro turno, prejudicando a candidatura de Romeu Zema.

Divulgação
O presidente nacional do Partido Novo, Eduardo Ribeiro, apontou para uma forte migração de votos como principal fator para o desempenho aquém do esperado de Romeu Zema na disputa presidencial. Segundo Ribeiro, o eleitorado de direita, em um movimento que ele descreveu como "voto útil", concentrou seus apoios em Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda no primeiro turno, visando uma vitória antecipada sobre o PT. Essa estratégia, de acordo com o dirigente, acabou por "mitigar" os votos que poderiam ter sido direcionados a Zema.
Candidatura de Zema prejudicada pela sobreposição de eleitorado
Ribeiro expressou que esperava uma performance superior de Zema, que encerrou a corrida presidencial na sexta posição. Ele argumenta que a proximidade de Zema com o eleitorado de Flávio Bolsonaro acabou por torná-lo mais suscetível a essa "desidratação" de votos. A concorrência na mesma "raia" eleitoral, segundo o presidente do Novo, foi um fator determinante para que Zema fosse mais prejudicado por essa dinâmica de "voto útil", especialmente nos dias finais da campanha, quando a urgência em derrotar o PT teria levado eleitores a antecipar seus apoios.
Apoio ao PL no segundo turno e divergências pontuais
A decisão do Novo de apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno foi justificada por Ribeiro como um movimento coerente com a atuação do partido na oposição ao governo atual. Ele destacou a necessidade de "vencermos o PT" como um senso de urgência compartilhado pelo eleitorado de direita. Ribeiro ressaltou que o apoio não envolveu negociações por cargos ou ministérios, focando-se unicamente no objetivo de encerrar o ciclo de governos petistas. Apesar das convergências em pautas econômicas e de reformas, o presidente do Novo admitiu divergências em relação à agenda de privatizações, com o partido defendendo a venda de bancos públicos e da Petrobras, enquanto Flávio Bolsonaro tem uma postura mais cautelosa.
Crescimento eleitoral e agenda legislativa para o futuro
Eduardo Ribeiro celebrou o que chamou de "maior resultado eleitoral da história" do Novo, com um aumento significativo no número de deputados federais e a eleição de senadores. Ele atribuiu esse crescimento a mudanças estruturais e de gestão dentro do partido, incluindo o uso de fundos partidário e eleitoral e a profissionalização da gestão. Para os próximos anos, o Novo pretende focar em reformas no Judiciário, como a discussão sobre mandatos para ministros do STF, e reformas econômicas, incluindo a administrativa, fiscal e previdenciária. A defesa de uma "CLT paralela", com maior flexibilidade nas contratações, e a possibilidade de impeachment de ministros do STF também foram citadas como prioridades.
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