Não há como STF julgar caso sobre Moraes no dia 15, diz Gilmar
Gilmar Mendes afirmou que a citação de Alexandre de Moraes no inquérito do Banco Master não deve ser analisada no julgamento extraordinário marcado para 15 de setembro. O decano do STF encaminhou um ofício a Luiz Edson Fachin, presidente do colegiado, e alertou para os riscos da fragmentação de procedimentos com bases fáticas comuns.

Divulgação
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira (11 de setembro de 2026) que a citação do ministro Alexandre de Moraes no inquérito do Banco Master não tem condições de ser analisada no julgamento extraordinário marcado para o dia 15 de setembro. Gilmar encaminhou um ofício a Luiz Edson Fachin, presidente do colegiado responsável pelo processo, para registrar sua posição antes da sessão.
Preocupação com a fragmentação do processo
Na manifestação, Gilmar argumentou que a separação de procedimentos apoiados em bases fáticas semelhantes pode comprometer a análise do conjunto pelo plenário. Para o decano, essa fragmentação dificulta a compreensão do quadro geral e pode gerar decisões incompatíveis entre si, além de provocar desorganização na tramitação.
“A fragmentação de procedimentos assentados em bases fáticas comuns, além de dificultar a compreensão do quadro global pelo colegiado, pode produzir justamente aquilo que as regras de conexão procuram evitar: decisões inconciliáveis e desordem procedimental”, afirmou Gilmar. O raciocínio do ministro reforça a necessidade de examinar procedimentos relacionados de forma integrada, evitando que trechos isolados sejam apreciados sem o contexto completo.
Discussão deve chegar ao colegiado
O caso em debate envolve a citação de Alexandre de Moraes no inquérito do Banco Master e a forma como esse ponto será tratado pelo STF. A avaliação marcada para 15 de setembro ocorre em caráter extraordinário, mas Gilmar sustenta que a inclusão da questão nessa etapa não oferece condições adequadas para um julgamento ordenado e abrangente.
A manifestação do decano não representa, por si só, uma decisão do tribunal. Ela apresenta ao presidente do colegiado e aos demais ministros um questionamento procedural que deverá ser considerado na condução dos trabalhos. Caberá ao STF avaliar os argumentos, o momento apropriado para a análise e a organização dos elementos vinculados ao inquérito.
STF analisa momento e escopo da apreciação
O principal ponto levantado por Gilmar é a relação entre a citação de Moraes e outros procedimentos que partilham fundamentos factuais. Segundo sua interpretação, apreciar apenas uma parte do conjunto pode impedir que os ministros tenham uma visão completa do caso e aumentar o risco de conclusões contraditórias.
Até o julgamento, a carta do decano passa a integrar a discussão sobre os próximos passos do processo. A decisão do colegiado poderá definir se o tema será examined na sessão do dia 15 ou tratado em outro momento, bem como estabelecer os limites da análise. O posicionamento de Gilmar, portanto, antecipa um debate relevante, mas ainda não resolve a questão.
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