Mendonça derruba sigilo de processos sobre “Dark Horse”, Ciro e Castro
O ministro André Mendonça, do STF, determinou a abertura de inquéritos ligados às investigações sobre o Banco Master, incluindo o financiamento da cinebiografia “Dark Horse” e procedimentos envolvendo Ciro Nogueira, Jaques Wagner e Cláudio Castro.

Divulgação
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (11 de setembro de 2026) a retirada do sigilo de novos processos vinculados às investigações sobre o Banco Master. A decisão amplia o conjunto de autos disponibilizados ao acesso público e abrange procedimentos considerados centrais para apurar eventuais conexões políticas, financeiras e operacionais envolvendo a instituição bancária.
Investigação sobre “Dark Horse”
Entre os inquéritos liberados está o que examina o financiamento da cinebiografia “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Federal indica o senador Flávio Bolsonaro (PL) como elo com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, na captação de recursos destinados à obra. Segundo a investigação, o dinheiro teria sido administrado posteriormente pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro. As hipóteses ainda estão sob apuração e dependem de análise pelo Judiciário.
Pedido da PGR e ampliação dos autos
A decisão atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que todo o procedimento fosse aberto. Mendonça foi além e incluiu outros 21 processos por iniciativa própria. A PGR sustentou que a liberação parcial feita anteriormente deixava de fora elementos importantes da operação Compliance Zero, o que poderia transmitir uma percepção incompleta da investigação e comprometer a transparência efetiva do caso.
Processos envolvendo Ciro, Wagner e Castro
Também deixaram o sigilo procedimentos relacionados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). As investigações analisam sua atuação no Congresso em favor do Banco Master e de Daniel Vorcaro, além de possíveis repasses financeiros, hipótese negada pelo senador. Outro inquérito abrange uma ramificação envolvendo o ex-ministro Jaques Wagner (PT-BA), até então mantida sob sigilo.
Os autos também alcançam Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro. Nesse caso, os investigadores apuram uma transferência de R$ 3,6 bilhões realizada pelo Rioprevidência ao Banco Master. A quebra de sigilo permite maior acompanhamento público das etapas processuais, mas não representa, por si só, condenação ou reconhecimento de irregularidade.
STF cobra integralidade da documentação
Antes da decisão de Mendonça, o presidente do STF, Edson Fachin, havia estabelecido prazo de 24 horas para que o relator encaminhasse à Presidência da Corte e aos gabinetes de todos os ministros a íntegra dos autos da operação Compliance Zero e da petição 15.556. Os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin apresentaram solicitações semelhantes.
A abertura dos procedimentos aumenta a exposição política das investigações e deve reacender o debate sobre a relação entre agentes públicos e instituições financeiras. A partir de agora, decisões, manifestações do Ministério Público e novos desdobramentos poderão ser acompanhados com mais detalhamento, respeitados os prazos legais e o direito de defesa dos investigados.
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