Lula diz que governo levou 2 anos para descobrir fraude no INSS
Durante ato em Porto Alegre, presidente afirmou que defendeu a criação de uma CPI da Previdência, mas encontrou resistência no próprio governo. Lula também falou sobre investigações, pagamentos a beneficiários e o contexto eleitoral.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 11 de setembro de 2026, que o governo levou dois anos para identificar a atuação de grupos envolvidos em fraudes contra o INSS. Durante discurso em Porto Alegre, ao lado de Juliana Brizola (PDT), candidata ao governo do Rio Grande do Sul, Lula disse que defendeu a abertura de uma CPI da Previdência, mas que integrantes da base governista consideraram a medida inadequada enquanto o PT ocupava o Palácio do Planalto.
Investigações e disputa política
Segundo Lula, a Controladoria-Geral da União já investigava o esquema nesse período. O presidente criticou a forma como o caso passou a ser tratado pela oposição e afirmou que a criação de uma comissão parlamentar foi usada para atribuir ao governo responsabilidade pelas irregularidades encontradas na Previdência.
Em 2025, o PT não assinou o requerimento da oposição que resultou na criação da CPMI do INSS. Petistas argumentavam que o colegiado poderia se transformar em palanque político contra o governo. Após a instalação da comissão, a legenda passou a atuar nos trabalhos e apresentou um relatório alternativo em 2026.
Lulinha foi alvo de quebra de sigilos
A CPMI aprovou em fevereiro a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. Ele é investigado por suspeitas de ligação com Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Uma proposta de indiciamento apresentada pelo relator Alfredo Gaspar (União-AL) foi rejeitada pelo colegiado.
Lula também exaltou a atuação do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), afirmando que o parlamentar trabalhou no Congresso para defender o governo e contribuir com a apuração do caso. A fala reforça o caráter eleitoral do discurso, realizado durante um ato de mobilização no Rio Grande do Sul.
Valores pagos e patrimônio apreendido
Ao comentar as medidas adotadas pelo governo, Lula afirmou que cerca de R$ 3,5 bilhões foram pagos a aproximadamente 5 milhões de aposentados e pensionistas prejudicados por fraudes. Ele também informou que mais de R$ 6 bilhões em patrimônios de investigados foram apreendidos para possível ressarcimento aos cofres públicos.
A Força-Tarefa Previdenciária, formada pelo Ministério da Previdência Social e pela Polícia Federal, continua investigando estruturas suspeitas de exploração irregular da Previdência. Parte das apurações em andamento teve início em 2024, antes da instalação da comissão parlamentar.
Lula cita Banco Master e faz defesa do governo
Na sequência, o presidente abordou o caso do Banco Master, que classificou como um dos maiores esquemas financeiros investigados no país. Lula sustentou que as fraudes foram estruturadas durante o governo de Jair Bolsonaro e desarticuladas na atual gestão. Ele também disse que 2026 será o ano da verdade contra a mentira, em referência à disputa eleitoral.
O ato em Porto Alegre começou debaixo de chuva. Lula e Juliana Brizola caminharam até a ponta do palco e, depois, acompanharam os discursos sentados no fundo do palanque. A primeira-dama Janja participou da mobilização, que incluiu músicas religiosas e mensagens direcionadas a mulheres e evangélicos.
Cartazes com os dizeres “Pela vida das gurias” foram exibidos pelos participantes. Os discursos enfatizaram a disputa eleitoral e pediram engajamento dos apoiadores nos últimos dias antes da votação, integrando a estratégia da campanha no Rio Grande do Sul.
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