Lula compara baixa representação feminina na política ao apartheid
Durante ato de campanha em Porto Alegre, Lula questionou a baixa presença de mulheres na política e comparou o cenário ao apartheid na África do Sul. Presidente defendeu maior participação feminina, mas condicionou o apoio à orientação política das candidatas.

Divulgação
Representação feminina e apartheid
Em ato de campanha realizado nesta sexta-feira (11) em Porto Alegre, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou a baixa presença de mulheres em cargos políticos no Brasil ao apartheid, regime de segregação racial que dominou a África do Sul durante décadas. Ao recordar a trajetória de Nelson Mandela, preso durante o regime, Lula destacou que a população negra tornou-se governante do país após o fim do sistema segregacionista.
“A África do Sul tinha 27 milhões de negros e 6 milhões de brancos. Quem governava? Os brancos. Era a favor do apartheid. As mulheres são maioria na sociedade. Por que tem tão poucas mulheres na Câmara, na prefeitura, no governo?”, questionou. A fala colocou a sub-representação feminina no centro do debate sobre quem ocupa os espaços de poder e de decisão no Brasil.
Lula atribuiu parte do problema à falta de “consciência política” e defendeu que mais mulheres votem em mulheres. O presidente, no entanto, fez uma ressalva ao afirmar que o apoio deve considerar as posições e o comportamento das candidatas. “O dia que as mulheres descobrirem que mulher tem que votar em mulher… mas é preciso saber se a mulher é fascista ou não. É preciso saber”, declarou.
Condições para apoiar candidaturas
Em outro momento do discurso, Lula afirmou que é necessário eleger mulheres “que gostam de homem, que gostam de mulher, que gostam de criança, que gostam de família”. A declaração reforçou que, para o presidente, a ampliação da presença feminina na política deve caminhar junto com a escolha de candidaturas alinhadas a determinados valores sociais e políticos.
O presidente também fez uma referência indireta à ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP), sem citar seu nome. Lula comentou o caso da parlamentar que, segundo ele, “pegou a pistola pra matar um homem” e depois “correu pra Itália”. “Não pode eleger mulher daquela”, afirmou. Zambelli deixou o Brasil após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal a dez anos de prisão pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça. Ela foi presa na Itália em 2025 e solta em maio de 2026.
Ato reunido na capital gaúcha
O evento em Porto Alegre começou debaixo de chuva. Lula e a candidata ao governo do Rio Grande do Sul, Juliana Brizola (PDT), caminharam até a ponta do palco, onde o presidente ergueu a mão da petista. Depois, ambos acompanharam os discursos sentados em poltronas no fundo da estrutura.
A programação teve músicas de campanha e de apelo religioso, incluindo “Tapete Vermelho”, hino gospel interpretado por Janja e usado em ações voltadas ao público evangélico, além do jingle “Rap do Silva”. A primeira-dama tem ampliado sua participação em agendas dirigidas a mulheres e a segmentos religiosos, considerados estratégicos para a campanha. Cartazes exibiam a frase “Pela vida das gurias”, referências a Lula e aos candidatos proporcionais.
O ato reuniu representantes de oito partidos da coligação: PT, PDT, PSB, PSOL, PCdoB, PV, Avante e Rede Sustentabilidade. Também discursaram Paulo Paim, Tarso Genro, Olívio Dutra, Juliana Brizola, Edgard Pretto, Manuela D’Ávila e Paulo Pimenta. Entre os temas abordados estiveram as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, a reconstrução do Estado, o combate ao feminicídio, a dívida herdada da gestão estadual anterior e a defesa da soberania nacional diante de possíveis interferências externas na eleição.
Banco Master e esquema do INSS
O deputado Paulo Pimenta defendeu a abertura de todos os sigilos relacionados ao Banco Master. Sem apresentar provas durante o discurso, ele afirmou que o chamado “Bolsomaster” financiou campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Pimenta também relacionou o esquema do INSS ao financiamento de campanhas de Onyx Lorenzoni e de outros nomes da direita. “Queremos que a verdade apareça. Eu quero todos os sigilos abertos. Não vamos aceitar manipulação”, disse.
Lula afirmou que seu governo levou dois anos investigando o esquema do INSS até desmontá-lo. Segundo o presidente, o sistema foi criado durante o governo Bolsonaro e todos os envolvidos estão presos. Ele também mencionou Daniel Vorcaro, dizendo que ele “virou banqueiro” no governo anterior e, no atual, “virou prisioneiro”.
Balanço do governo e eleições
No discurso mais longo da noite, Lula apresentou um balanço de sua gestão, com menções a educação, inflação, salário mínimo e programas voltados às mulheres. O presidente encerrou o evento com um apelo para que o eleitorado gaúcho vote em toda a chapa da coligação. Também comentou a relação com os Estados Unidos e com o presidente Donald Trump, afirmando que não aceitará interferência externa nas eleições brasileiras.
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