Lula diz que cobrará Trump na ONU por respeito às eleições do Brasil
Durante comício em Porto Alegre, Lula afirmou que pedirá a Donald Trump o fim de interferências nas eleições brasileiras. Os presidentes devem se encontrar em Nova York durante a Assembleia Geral da ONU, em um momento marcado também por negociações sobre tarifas.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou nesta quinta-feira, 11 de setembro de 2026, que cobrará do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respeito ao processo eleitoral brasileiro. A conversa deve ocorrer em Nova York, durante o Debate Geral da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), marcado para os dias 22 a 28 de setembro.
Reciprocidade entre os governos
Lula disse que pretende afirmar ao mandatário norte-americano que respeita o resultado das eleições dos Estados Unidos e não interfere no pleito daquele país. Em contrapartida, pedirá que Trump também não atue em assuntos internos do Brasil. A declaração foi feita durante um comício em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.
“Eu não me meto nas eleições americanas, porque as eleições americanas é uma coisa que interessa ao povo americano. Você foi eleito e eu respeito o resultado das eleições. Agora, por favor, não mexa com o filho da dona Lindu”, declarou Lula. A fala reforça a defesa do presidente brasileiro pela soberania nacional e pela não ingerência de governos estrangeiros em disputas políticas internas.
Brasil abre tradicionalmente o debate na ONU
Lula deve falar antes de Trump no plenário da Assembleia Geral. Depois de seu discurso, o presidente brasileiro pretende permanecer para acompanhar a apresentação do norte-americano. O Brasil ocupa historicamente a primeira posição na ordem de pronunciamentos do encontro, tradição consolidada desde 1955, enquanto os Estados Unidos, país-sede da ONU, fazem o segundo discurso.
Espera-se que o quarto pronunciamento de Lula na ONU neste mandato aborde soberania, democracia e interferência estrangeira. O presidente tem criticado manifestações de Trump sobre temas internos do Brasil e deve usar o espaço diplomático para defender que diferenças políticas entre governos sejam tratadas sem tentativa de influência sobre escolhas eleitorais de outros povos.
Tarifas também devem estar na pauta
Além das eleições, Lula e Trump podem discutir as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Os dois líderes conversaram por telefone em 21 de agosto por aproximadamente uma hora e 20 minutos, com o aumento das taxas comerciais no centro das tratativas. As negociações foram retomadas, mas ainda não havia perspectiva de um acordo definitivo antes do período eleitoral no Brasil.
O encontro em Nova York é visto pelo governo brasileiro como uma oportunidade para retomar o diálogo direto entre os dois presidentes. A viagem de Lula será curta: ele embarca no dia 20 e retorna no dia 22, às vésperas das eleições brasileiras. Em 2025, os mandatários já haviam se encontrado durante a Assembleia Geral da ONU, em uma conversa que abriu espaço para uma aproximação entre os governos.
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