Milton Leite passa mal e pede atendimento antes de audiência de custódia
Ex-presidente da Câmara de São Paulo teve um mal-estar na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, onde está preso no âmbito da Operação Vectura Corrupta. Ele nega relação com o PCC e irregularidades em empresas de transporte.

Divulgação
O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) passou mal na manhã deste sábado (19) e pediu atendimento médico antes de ser apresentado à audiência de custódia. Ele está recolhido na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.
Mal-estar antecede audiência de custódia
A condição de saúde de Leite não foi detalhada. A audiência de custódia é o procedimento no qual um juiz verifica a legalidade da prisão e decide se mantém a custódia, concede liberdade ou aplica outras medidas cautelares.
O ex-vereador foi preso na tarde de sexta-feira (18), após se apresentar espontaneamente à polícia. Antes da entrega, as autoridades não o haviam localizado, situação que levou investigadores a tratá-lo como foragido. A defesa informou que ele estava viajando e que retornaria para cumprir a determinação judicial.
Investigação aponta suposta ligação com transporte
Leite é investigado no âmbito da Operação Vectura Corrupta, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo em conjunto com o Ministério Público estadual. A ação apura a possível infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) em empresas de transporte coletivo da capital paulista.
De acordo com os elementos reunidos na investigação, o ex-vereador teria participado da operação de empresas do setor sob influência da organização criminosa. A decisão judicial que autorizou a operação registra a existência de diálogos e outros indícios que associam seu nome às atividades investigadas.
Empresas de ônibus são alvo da operação
O Ministério Público estima que pelo menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo de São Paulo sejam controladas direta ou indiretamente pela facção. A acusação, no entanto, ainda depende de confirmação durante a apuração criminal e eventual análise judicial.
A operação cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em São Paulo, na Grande São Paulo e em cidades do litoral, incluindo Santos, Praia Grande e Cubatão. As investigações também apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e movimentação de recursos ligados ao PCC por meio de companhias de ônibus.
Leite e empresa negam participação
A decisão menciona depoimentos de policiais militares que descrevem Milton Leite como o suposto “dono de fato” da Transwolff, empresa anteriormente investigada na Operação Fim da Linha, em 2024. A companhia nega que ele tenha participação societária ou qualquer atuação em sua gestão.
Leite também rejeita ser proprietário da Transwolff e afirma desconhecer integrantes do PCC. Em declaração, disse negar “veementemente” qualquer relação com a organização criminosa e contestou a existência de irregularidades em seus contatos com empresas de transporte.
Partido ainda não se manifestou
Presidente estadual do União Brasil em São Paulo, Milton Leite é um dos nomes relacionados à operação. Procurado sobre o caso, o partido não apresentou manifestação até a conclusão desta reportagem.
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