Marinho diz que investigação sobre emendas replica inquérito das fake news
Rogério Marinho criticou a condução do inquérito sobre emendas parlamentares por Flávio Dino e afirmou que o caso se expandiu para suspeitas de tráfico de influência. A declaração ocorreu no mesmo dia da operação da PF contra o deputado Cezinha de Madureira.

Divulgação
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro (PL), afirmou nesta segunda-feira (14) que o inquérito sobre emendas parlamentares conduzido pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), reproduz o modelo de atuação criticado no inquérito das fake news.
Marinho avaliou que o procedimento, inicialmente voltado à apuração do uso de emendas, passou a incorporar suspeitas de tráfico de influência e exploração de prestígio em tribunais superiores. Para o senador, essa ampliação cria o risco de atingir pessoas sem relação direta com o objeto original da investigação.
Críticas ao alcance do inquérito
Em declarações a jornalistas no Senado, Marinho também questionou o recebimento de petições relacionadas a parlamentares. Segundo ele, cerca de 30 pedidos foram protocolados nas últimas semanas, a maior parte por integrantes do PT, e estariam sendo acolhidos por Flávio Dino sem avaliação colegiada por outros ministros.
O senador comparou o caso ao inquérito aberto em 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, para investigar ameaças contra ministros da Corte. Na avaliação da oposição, ambos os procedimentos podem ganhar contornos cada vez mais amplos e se transformar em instrumentos de pressão política sobre o Congresso Nacional.
Operação contra Cezinha de Madureira
As declarações de Marinho ocorreram no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou uma operação contra o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), autorizada por Flávio Dino. A investigação apura indícios de que o parlamentar vendia influência ao afirmar ter acesso direto aos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ambos do STF.
Cezinha de Madureira é investigado por exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Na decisão que autorizou a operação, Dino citou mensagens atribuídas ao deputado que indicariam disposição de fazer pedidos pessoais a ministros em favor de partes representadas por advogadas ligadas a ele.
O ministro também avocou uma investigação paralela após a apreensão de R$ 510 mil em espécie com um parente do deputado no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Nem Kassio Nunes Marques nem André Mendonça são investigados no caso, conforme as informações disponíveis sobre o procedimento.
Novo front entre Congresso e STF
A operação contra Cezinha se soma a outras investigações que têm provocado reação na base bolsonarista. Na quinta-feira (10), a operação Make Up foi direcionada ao deputado Mario Frias (PL-SP), alvo de suspeitas envolvendo o uso de emendas parlamentares para financiar um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Para a oposição, o conjunto de ações nas últimas semanas confirma uma mudança no perfil do inquérito das emendas. O caso passa a ser tratado como uma nova frente de tensão entre parlamentares e o STF, em um cenário marcado por disputas sobre os limites das investigações judiciais e a atuação do Congresso.
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