Márcio Chaer, fundador da ConJur, morre e recebe homenagens do Supremo Tribunal Federal
O jornalismo brasileiro e o mundo jurídico lamentam a morte de Márcio Chaer, fundador da renomada revista eletrônica Consultor Jurídico (ConJur). Aos 71 anos, Chaer foi um pioneiro na cobertura especializada do Poder Judiciário e recebeu diversas homenagens de ministros do Supremo Tribunal Federal, que destacaram seu legado e a contribuição para a transparência e o conhecimento do sistema de justiça do país.

Divulgação
O jornalismo brasileiro e, em especial, o universo jurídico, perderam neste sábado (3.out.2026) uma de suas vozes mais influentes: Márcio Chaer, fundador e diretor da revista eletrônica Consultor Jurídico (ConJur). Com 71 anos, Chaer era uma figura emblemática na cobertura do Poder Judiciário, tendo estabelecido um novo padrão de jornalismo especializado que se tornou referência para profissionais do direito, estudantes e o público em geral.
A morte de Chaer, decorrente de um mal súbito, ocorreu em São Paulo, nas proximidades da Estação Armênia, enquanto o jornalista perseguia um homem que havia furtado o celular de uma pessoa em sua companhia. A circunstância trágica de sua partida ressalta a sua índole e o espírito de quem sempre buscou a verdade e a justiça, valores que pautaram sua longa e profícua carreira.
A repercussão da notícia foi imediata e profunda, com diversos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) manifestando seu pesar e prestando homenagens ao legado de Chaer. O presidente do STF, Edson Fachin, em nota oficial, expressou as condolências da Corte e sublinhou a contribuição inestimável do jornalista para a cobertura do Poder Judiciário, um segmento que ele ajudou a moldar e a profissionalizar.
Um legado para o jornalismo jurídico
Fachin também fez questão de destacar a importância do Anuário da Justiça, publicação lançada por Chaer em 2007, que se consolidou como uma ferramenta indispensável para a compreensão do complexo sistema judiciário brasileiro. "O Supremo Tribunal Federal presta suas condolências e solidariedade aos familiares, amigos, colegas de redação e a toda a equipe do ConJur", afirmou o presidente da Corte, ecoando o sentimento de muitos.
Defensor da democracia e do jornalismo ético
O vice-presidente do STF, Alexandre de Moraes, ao lamentar a partida, enfatizou que Márcio Chaer representava "o melhor do jornalismo", elogiando sua inteligência, seriedade, competência e independência, especialmente em "tempos de tanta desinformação, milícias digitais e discurso de ódio". O decano Gilmar Mendes, que o chamou de "querido amigo", ressaltou o caráter íntegro e a generosidade de Chaer, enquanto Dias Toffoli creditou a ele a criação de "um novo objeto para a Comunicação Social: o jornalismo setorial especializado no sistema de justiça".
Para o ministro Cristiano Zanin, a trajetória de Márcio Chaer está intrinsecamente ligada à história do Judiciário brasileiro. Chaer fundou a revista Consultor Jurídico em 1997, transformando a maneira como o direito era noticiado e debatido no país. Sua visão inovadora e seu compromisso com a informação de qualidade deixam uma lacuna imensa, mas também um caminho pavimentado para futuras gerações de jornalistas e para a sociedade que busca entender as engrenagens da justiça.
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