Lula será o único líder fundador dos Brics fora da cúpula na Índia
Lula não participará da cúpula dos Brics em Nova Délhi por causa da campanha à reeleição. O chanceler Mauro Vieira representará o Brasil em um encontro marcado pela presença dos demais líderes fundadores e por tensões envolvendo China, Índia, Rússia e Oriente Médio.

Divulgação
Ausência por causa da campanha eleitoral
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o único líder dos países fundadores dos Brics que não participará da cúpula do bloco em Nova Délhi, na Índia, entre os dias 12 e 13 de setembro de 2026. A ausência ocorre durante a campanha eleitoral, quando Lula pretende concentrar sua agenda nos compromissos necessários à disputa pela reeleição. Mesmo sendo um defensor histórico da ampliação do grupo, o presidente deixará a representação brasileira sob responsabilidade do chanceler Mauro Vieira.
Com a ausência de Lula, a cúpula voltará a acontecer sem a presença simultânea dos cinco líderes dos países fundadores. Situação semelhante ocorreu em 2019, na edição realizada em Brasília, quando o Brasil era governado por Jair Bolsonaro. Estarão na Índia Vladimir Putin, presidente da Rússia; Xi Jinping, presidente da China; Narendra Modi, primeiro-ministro indiano; e Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul.
Expansão aumenta o peso político do encontro
A reunião em Nova Délhi também será marcada pela presença de representantes de países que integraram as expansões promovidas desde 2024. O grupo passou a reunir 11 membros e contará ainda com autoridades de nações convidadas. Entre os participantes estão representantes do Irã, Emirados Árabes Unidos, Egito, Etiópia, Indonésia, Arábia Saudita, Malásia, Vietnã, Filipinas, Burundi, Cazaquistão, Nigéria, Uganda, Cuba, Bielorrússia, Uruguai e Bahrein.
A ampliação reforça a tentativa dos Brics de atuar como um espaço de articulação entre economias emergentes, mas também torna mais complexa a construção de posições comuns. As conversas devem abordar cooperação econômica, segurança energética, reformas na governança global e crises regionais, temas que frequentemente expõem diferenças entre os integrantes do bloco.
Xi Jinping retorna à Índia após sete anos
Um dos momentos mais observados da cúpula será o retorno de Xi Jinping à Índia após sete anos. O presidente chinês viajará com uma comitiva de aproximadamente 400 pessoas, sinal de interesse em avançar acordos e buscar consensos com as autoridades indianas. A visita ocorre em meio a uma reaproximação iniciada em 2024 entre Pequim e Nova Délhi.
China e Índia seguem divididas por uma antiga disputa fronteiriça, agravada por um confronto armado em 2020 que deixou 24 mortos. A relação também é pressionada pelos acordos militares entre a China e o Paquistão, rival histórico dos indianos. Apesar desses pontos de tensão, Xi e Modi têm adotado um tom mais cordial. No ano passado, Modi visitou a China pela primeira vez em sete anos.
Putin retorna após ficar fora da cúpula no Brasil
A edição indiana também marca a retomada da participação de Vladimir Putin, que não compareceu à cimeira de 2025, realizada no Brasil. O líder russo ficou fora do encontro por causa de um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional em razão de crimes de guerra relacionados ao conflito na Ucrânia. Putin chegou a Nova Délhi na sexta-feira, 11 de setembro, e sua presença deve reacender as discussões sobre o papel do bloco diante da guerra.
Guerra no Oriente Médio testa a união dos Brics
Outro desafio será aproximar posições sobre a guerra entre Irã e Estados Unidos, iniciada em fevereiro de 2026. Durante a cúpula, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, ficará frente a frente com representantes de países árabes cujas bases americanas foram atacadas pelo Irã no decorrer do conflito.
O cenário coloca à prova a capacidade de diálogo entre membros e parceiros do bloco. Rússia, China e Índia podem atuar como mediadores, enquanto nações árabas precisam equilibrar sua aliança com os Estados Unidos e as boas relações mantidas com os três gigantes dos Brics. O resultado das conversas indicará se o grupo consegue transformar sua expansão em influência diplomática efetiva.
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