PF identifica indícios de triangulação de R$ 6,1 milhões ligada a produtora de “Dark Horse”
A Polícia Federal encontrou indícios de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro em movimentações envolvendo entidades de Karina Gama, da Go Up Entertainment. A defesa afirma que a empresária colaborou com a investigação e questiona aspectos processuais da operação no STF.

Divulgação
A Polícia Federal identificou indícios de uma triangulação financeira de R$ 6,1 milhões envolvendo empresas e entidades ligadas à empresária Karina Gama, da Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Karina foi um dos alvos da operação deflagrada na quinta-feira, 10 de setembro de 2026.
Fluxo de recursos investigado
A investigação, registrada na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que recursos saíram do Instituto Conhecer Brasil e foram repassados a empresas terceirizadas. Essas companhias, por sua vez, transferiram valores para a Academia Nacional de Cultura. Segundo o magistrado, tanto o instituto quanto a academia pertencem a Karina.
Dino destacou que a Academia Nacional de Cultura aparece repetidamente como destinatária de recursos originados em diferentes empresas financiadas pelo Instituto Conhecer Brasil. Ao todo, foram registrados R$ 6.175.273,64 enviados à entidade, sem comunicações simétricas correspondentes nas contas da organização da sociedade civil.
Para o ministro, as movimentações apresentam indícios de retorno dos recursos públicos pagos ao instituto para a esfera de disponibilidade de seus responsáveis, com possível caracterização de desvio e lavagem de dinheiro. O deputado Mario Frias (PL-SP) também foi alvo da operação autorizada pelo STF.
Defesa contesta aspectos da operação
A defesa de Karina Gama informou que entregou mais de 20 mil páginas de documentos à Polícia Federal antes da operação. Segundo os advogados, a medida comprova a boa-fé e a lealdade processual da empresária.
A defesa também protocolou uma reclamação constitucional no STF para questionar aspectos processuais da investigação. A ação não discute o mérito da apuração, mas busca preservar a autoridade das decisões da Presidência do tribunal e a competência do juiz natural. Os advogados afirmaram confiar nas instituições e na garantia do devido processo legal.
Contrato de wi-fi em análise
A apuração considera ainda o contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de wi-fi. As investigações buscam esclarecer a relação entre as movimentações financeiras e os recursos vinculados ao acordo com o município.
A reportagem solicitou manifestação da Prefeitura de São Paulo sobre a operação e sua relação com o contrato. Não houve resposta até a publicação desta reportagem.
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