Europa Filmes suspende definição de estreia de Dark Horse
Distribuidora não definirá nova data para a cinebiografia de Jair Bolsonaro enquanto investigações da Polícia Federal sobre o financiamento do filme não avançarem.

Divulgação
A Europa Filmes suspendeu a definição da data de estreia de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão foi confirmada por Wilson Feitosa, diretor-geral da distribuidora, um dia após a Polícia Federal deflagrar uma operação para investigar suspeitas de desvio de emendas relacionadas à produção do longa.
Investigação sobre repasse de emendas
A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, cumpriu 49 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme. A PF apura a origem e a aplicação dos recursos destinados à produção.
Segundo a investigação, Frias direcionou R$ 2 milhões em emendas parlamentares, em 2024, ao Instituto Conhecer Brasil, organização presidida por Gama. Os repasses foram pagos em fevereiro e outubro de 2025. Os investigadores buscam verificar se parte do dinheiro foi desviada para empresas envolvidas na produção de Dark Horse. Frias nega irregularidades e classifica a ação como uma “cortina de fumaça”.
Estreia depende de segurança jurídica
Feitosa afirmou que a distribuidora precisa aguardar o avanço dos procedimentos antes de marcar a exibição. Para a empresa, seria irresponsável lançar o filme sem compreender o desdobramento das investigações e os possíveis riscos de impedimento judicial. A prioridade, segundo o executivo, é garantir que a estreia ocorra sem obstáculos capazes de interromper a circulação da obra.
Há outra frente sob análise
Além do inquérito sobre as emendas, existe uma segunda frente de investigação sob relatoria do ministro André Mendonça, surgida como desdobramento do caso Banco Master. Essa apuração alcança diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que participou de tratativas para captar recursos privados destinados ao filme. As investigações ainda apuram responsabilidades e não estabelecem, por si só, condenação dos envolvidos.
Cautela já existia antes da operação
A Europa Filmes já demonstrava cautela com o calendário de Dark Horse. Em julho de 2026, Feitosa havia avaliado que não seria estratégico lançar a obra durante o período eleitoral. Na ocasião, citou como referência a recepção de Lula, o Filho do Brasil, exibido nos cinemas em 2020 durante disputa presidencial. Naquele momento, porém, uma data oficial ainda não havia sido anunciada.
Agora, a indefinição ganhou um componente jurídico relevante. O futuro lançamento da cinebiografia depende não apenas de uma estratégia comercial, mas também do resultado das apurações e da eventual existência de restrições à exibição. Até que haja maior clareza sobre o financiamento e os caminhos do filme, a Europa Filmes manterá Dark Horse sem data marcada nos cinemas.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








