PF investiga falsificação de ofícios para derrubar perfis de desafetos
Relatórios apresentados ao STF indicam que um grupo ligado a Daniel Vorcaro usou documentos e credenciais com aparência oficial para pressionar plataformas, incluindo a Meta, a remover contas de opositores nas redes sociais.

Divulgação
A Polícia Federal investiga a atuação de um grupo ligado ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, na falsificação de ofícios e no uso irregular de canais institucionais para solicitar a remoção de perfis de desafetos nas redes sociais. As conclusões constam de relatórios divulgados em 10 de setembro de 2026 ao Supremo Tribunal Federal.
Uso irregular de canais oficiais
De acordo com a investigação, o grupo utilizava portais de Law Enforcement Information Request, sistemas destinados ao envio de pedidos oficiais de autoridades a empresas de tecnologia. O acesso indevido a esses ambientes dava aparência de legitimidade a solicitações que, segundo os investigadores, não correspondiam a demandas reais das instituições públicas.
A PF afirma que eram encaminhados documentos supostamente assinados por servidores, com o objetivo de induzir plataformas digitais a remover contas consideradas opositoras. Para os investigadores, a prática é ilícita e pode comprometer a segurança de sistemas usados em investigações legítimas, além de criar riscos institucionais e violar normas de proteção de dados.
Perfil associado a Martha Graeff
Um dos casos citados no inquérito envolve um falso ofício enviado à Meta com assinatura atribuída ao Grupo Especial de Combate à Corrupção do Ministério Público do Ceará. Vorcaro queria identificar o responsável e obter a derrubada de um perfil que, segundo ele, seria falso e estaria associado à então namorada, Martha Graeff.
Em mensagens de outubro de 2024, o ex-banqueiro cobrou a retirada da conta e afirmou que desejava descobrir quem a havia criado. Nos dias seguintes, Luiz Phillipe Machado Mourão, conhecido como Sicário e apontado como integrante do grupo, informou que um novo pedido de urgência havia sido enviado ao Facebook.
Remoção da conta e rastreamento
No mesmo dia, Sicário comunicou que a conta havia sido banida pela Meta. Para a Polícia Federal, a sequência de mensagens indica que as solicitações irregulares produziram efeito imediato perante a plataforma, embora a investigação ainda apure a extensão da atuação de cada envolvido.
Os investigadores também identificaram que, nesse episódio, o grupo teria usado o endereço eletrônico de uma funcionária do Ministério Público do Ceará para acessar os portais de solicitações. A PF ainda não concluiu se houve participação consciente da servidora ou se suas credenciais foram utilizadas indevidamente por terceiros.
O material foi incluído em relatórios apresentados ao STF pelo ministro André Mendonça, após pedido de retirada do sigilo formulado pelo presidente da Corte, ministro Luiz Edson Fachin. As investigações continuam para esclarecer a autoria, os métodos utilizados e a participação de possíveis colaboradores no esquema de remoção de perfis.
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