Investigação aponta acesso indevido a sistema da PF em delegacia de Juiz de Fora
Relatórios da Polícia Federal indicam que o grupo de Daniel Vorcaro consultou o ePol, sistema restrito a agentes da corporação. A auditoria aponta Juiz de Fora como origem do acesso e apura o uso de informações sigilosas sobre a operação Compliance Zero.

Divulgação
Auditoria identifica a origem do acesso
Relatórios da Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e integrantes de seu grupo realizaram consultas indevidas ao ePol, sistema reservado exclusivamente a policiais federais. Uma auditoria determinada após a constatação das consultas apontou, em sua fase inicial, que o acesso teve origem na delegacia da corporação em Juiz de Fora, em Minas Gerais.
A investigação não atribui, no trecho divulgado, a autoria direta das consultas a um servidor específico. O trabalho agora busca reconstruir como as credenciais foram utilizadas, quais dados foram acessados e se houve participação de integrantes da estrutura policial local. A auditoria nos sistemas da PF continua em andamento e pode ampliar o conjunto de evidências sobre o caso.
Informações sigilosas sobre a Compliance Zero
De acordo com os relatórios, o grupo teria usado acessos ilícitos para obter informações reservadas sobre a preparação da operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro de 2025 e responsável pela prisão de Vorcaro. A Polícia Federal sustenta que ele tomou conhecimento prévio da ação por meios irregulares e passou a atuar para dificultar ou reduzir a efetividade da investigação.
Os documentos também afirmam que Vorcaro contava com uma estrutura descrita pela PF como uma espécie de milícia pessoal. A corporação entende que esse aparato foi utilizado para obter dados protegidos e acompanhar movimentações relacionadas à operação, conduta considerada grave por envolver sistema interno de segurança pública e informações estratégicas.
Relatórios foram apresentados ao Supremo
Os relatórios foram divulgados em 10 de setembro de 2026 pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, após decisão do presidente da Corte, Luiz Edson Fachin. As investigações também indicam que o grupo tinha acesso a sistemas do FBI e da Interpol, embora os próximos passos dependam da confirmação técnica e do cruzamento dos registros disponíveis.
O caso ganhou relevância porque eventual violação de sistemas restritos da Polícia Federal pode comprometer o sigilo de investigações, a segurança de dados e a condução de operações. Até a conclusão da auditoria e das diligências, however, as informações integram apurações em curso e serão avaliadas no âmbito das investigações e dos processos relacionados ao caso.
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