Galípolo encaminha à PF suspeita de corrupção no Banco Central
Presidente do BC comunicou à Polícia Federal possível recebimento de valores milionários por dois dirigentes da supervisão bancária. Belline Santana e Paulo Sérgio Neves negam irregularidades e afirmam que as operações foram declaradas à Receita Federal.

Divulgação
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, encaminhou à Polícia Federal uma comunicação sobre suspeitas de corrupção envolvendo dois funcionários do alto escalão da autarquia que atuavam na supervisão de instituições financeiras. O ofício foi enviado em 9 de janeiro de 2026 ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, após apurações internas sobre pagamentos milionários a Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza.
Comunicação foi incluída nos autos sobre o Banco Master
O documento passou a integrar a Petição 15.556, que trata das investigações relacionadas ao Banco Master, e foi tornado público por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Galípolo informou que o BC tomou conhecimento da possível prática de atos ilícitos por servidores ligados à fiscalização do sistema financeiro.
Segundo o presidente da autarquia, as circunstâncias indicavam possível “interesse privado na atuação funcional”. Por isso, os fatos foram comunicados às autoridades policiais por poderem configurar, em tese, corrupção passiva, crime previsto no artigo 317 do Código Penal. A comunicação não representa uma conclusão sobre culpa dos servidores, mas registra a necessidade de apuração pela Polícia Federal.
Dirigentes tinham funções na supervisão bancária
Belline Santana era chefe de unidade do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, enquanto Paulo Sérgio ocupava a função de chefe-adjunto do mesmo setor. A área exerce atribuições sensíveis sobre instituições financeiras e profissionais sob fiscalização da autarquia, o que aumenta a relevância de qualquer possível conflito entre interesses particulares e atividades funcionais.
Relato anônimo iniciou apuração interna
A apuração começou após um relato verbal apresentado anonimamente a Galípolo. A informação indicava que Belline e Paulo Sérgio teriam recebido valores em condições incompatíveis com as restrições impostas aos servidores públicos, que não podem aceitar propina, comissão, presente ou vantagem em razão de suas funções.
Em 7 de janeiro, Galípolo informou o caso ao diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, e ao procurador-geral da autarquia. Eles ouviram os dois funcionários separadamente. No dia seguinte, Ailton enviou à Corregedoria um relato circunstanciado, classificando o caso como grave e solicitando providências.
Belline afirma ter recebido R$ 2 milhões
Belline contou que foi procurado em 2023 por Leonardo Palhares, apontado nos documentos como supostamente ligado à organização Câmara-e.Net. Segundo sua versão, ele foi convidado a colaborar com um projeto de inclusão financeira de jovens e aceitou receber R$ 2 milhões. Inicialmente, teria sido informado de que nenhum banco regulado pelo BC estava envolvido.
O servidor afirmou ter recebido duas parcelas de R$ 500 mil em 2023 e, depois, pagamentos mensais de R$ 100 mil por meio de uma empresa criada por ele. Belline disse que participou da elaboração do projeto e de um podcast, declarou os valores à Receita Federal e desconhecia qualquer ligação dos pagamentos com o Banco Master. A Corregedoria observou, porém, aparente desproporcionalidade entre o valor recebido e os serviços descritos.
Paulo Sérgio nega irregularidade na venda de imóvel
Paulo Sérgio informou que vendeu um sítio em Minas Gerais por R$ 4,5 milhões. Segundo ele, só descobriu na escritura que o comprador era cunhado de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O servidor sustenta que o preço correspondia ao valor de mercado, que desconhecia a relação familiar no início da negociação e que o dinheiro foi depositado em cinco parcelas em conta conjunta com o irmão.
A transação também foi declarada à Receita Federal, conforme Paulo Sérgio. A Corregedoria considerou, nevertheless, que a participação de um familiar do fundador do Banco Master exigia investigação sobre a origem e a legitimidade do acréscimo patrimonial. Mesmo sem documentos anexados ao primeiro relato, o BC abriu sindicâncias para esclarecer os pagamentos eeventuais conflitos de interesse.
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