STF autoriza interceptação de WhatsApp de policiais ligados a Vorcaro
André Mendonça autorizou por 15 dias o monitoramento de WhatsApp, interceptação telefônica e acesso a dados de investigados no caso do Banco Master. A PF apura a atuação de policiais e de um suposto núcleo de hackers ligado a Daniel Vorcaro.

Divulgação
Medida vale por 15 dias
O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça autorizou, em 11 de maio de 2026, a interceptação telefônica e o monitoramento de WhatsApp de investigados no caso do Banco Master. A determinação abrange o WhatsApp e o WhatsApp Web, além de dados cadastrais, registros de acesso e metadados relacionados aos alvos.
Para deferir o pedido apresentado pelo presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, Mendonça considerou presentes indícios razoáveis de autoria e materialidade. O ministro também destacou a indispensabilidade da medida e a insuficiência dos meios ordinários de investigação. A decisão autoriza ainda o acesso forense a contas e ambientes virtuais associados aos investigados.
PF aponta policiais no núcleo “A Turma”
A Polícia Federal identifica Anderson Wander da Silva Lima, Sebastião Monteiro Júnior e Manoel Mendes Rodrigues como integrantes do núcleo chamado “A Turma”. Segundo a corporação, o grupo reúne pelo menos três policiais federais, sendo dois aposentados e um da ativa, e estaria inserido na organização criminosa que a investigação atribui ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Na representação, a PF afirma que Marilson Roseno da Silva pediu a Anderson Wander a realização de pesquisas em sistemas da corporação para atender aos interesses de Vorcaro. O policial também teria solicitado consultas a outros agentes, aproveitando a relação de confiança existente entre os servidores. Uma auditoria apontou pesquisas indevidas no sistema ePol, inicialmente relacionadas à delegacia da PF em Juiz de Fora, em Minas Gerais.
Investigação apura possíveis contrapartidas financeiras
A PF afirma ter identificado indícios de que Wander recebeu vantagens financeiras pela atuação. Em 31 de dezembro de 2025, Marilson teria solicitado a chave Pix do policial para “enviar uma oferenda”. No dia seguinte, Wander enviou um áudio aparentemente agradecendo o valor, mas a corporação ainda não conseguiu determinar o montante transferido.
Segundo a investigação, Vorcaro utilizaria Marilson e Wander como canais de acesso a sistemas internos da PF. Por meio dessas consultas, informações restritas a servidores da ativa, como registros de investigações e dados cadastrais, teriam sido obtidas irregularmente.
PF investiga suposto núcleo de hackers
A investigação também mira o grupo denominado “Os Meninos”, formado, segundo a PF, por David Henrique Alves, Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e Victor Lima Sedlmaier. A corporação sustenta que os integrantes atuavam em ataques cibernéticos, com capacidade para invadir dispositivos móveis e serviços de armazenamento em nuvem.
De acordo com a representação, o grupo foi acionado em diferentes ocasiões para atingir pessoas que faziam críticas a Vorcaro. A PF cita a derrubada de um perfil no Instagram que criticava um evento do Banco Master em Londres. A investigação também registra uma suposta solicitação, em julho de 2025, para invadir o jornalista Lauro Jardim.
A autorização de Mendonça não significa condenação nem comprovação definitiva dos crimes descritos pela PF. A decisão reconhece a existência de indícios e requisitos legais para a coleta de provas, enquanto as investigações sobre o acesso a sistemas, os ataques digitais e as possíveis vantagens financeiras continuam em andamento.
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