Lula intensifica debate sobre jornada 6x1 com vídeo narrado por Wagner Moura e mira em Flávio Bolsonaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou um vídeo narrado pelo ator Wagner Moura para defender o fim da escala de trabalho 6x1 e criticar o senador Flávio Bolsonaro, acusando-o de dificultar a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa reduzir a jornada máxima de trabalho. O embate político esquenta em torno da flexibilização das leis trabalhistas e da busca por dois dias de folga remunerada por semana.

Divulgação
O cenário político nacional esquentou nesta terça-feira (13 de outubro) com a divulgação de um vídeo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que coloca em xeque a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL) na tramitação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que busca o fim da escala de trabalho 6x1. Narrada pelo renomado ator Wagner Moura, a peça publicitária defende fervorosamente a redução da jornada máxima de trabalho e a garantia de dois dias de folga remunerada por semana.
O vídeo de Lula não poupa críticas ao parlamentar, alegando que Flávio Bolsonaro tem agido para dificultar o avanço da proposta no Congresso. A discussão central gira em torno da jornada de trabalho, com a PEC propondo uma transição de 44 para 40 horas semanais, garantindo folgas remuneradas sem redução salarial. A mudança seria implementada gradualmente, passando para 42 horas dois meses após a promulgação da emenda, e atingindo as 40 horas em quatorze meses.
A controvérsia sobre a flexibilização e a crítica presidencial
A ofensiva do governo não se limita à PEC da jornada. O vídeo também questiona uma proposta de emenda à Constituição apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) e que conta com a assinatura de Flávio Bolsonaro. Esta PEC alternativa permite a adoção de jornadas flexíveis, com remuneração proporcional às horas trabalhadas. A campanha presidencial argumenta que tal medida poderia levar a jornadas excessivas e instabilidade financeira para o trabalhador, revivendo um modelo de pagamento por hora que, no passado, resultou em jornadas exaustivas de 12 a 16 horas diárias, sem garantias de planejamento mensal ou recebimento integral em caso de baixa movimentação no trabalho.
O embate no Congresso e a defesa de Flávio Bolsonaro
Diante da repercussão, Flávio Bolsonaro se manifestou, afirmando que votará a favor do fim da escala 6x1. No entanto, o senador defendeu uma maior liberdade para que os próprios trabalhadores possam definir suas jornadas, além de propor que o governo compense as empresas pelos custos decorrentes da redução da carga horária. A PEC sobre a jornada de trabalho já foi aprovada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, mas enfrentou um período de cerca de três meses sem avançar para o plenário. Lideranças do governo, como Randolfe Rodrigues (PT-AP), atribuem esse atraso à articulação de Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho, que teriam incentivado ausências de senadores para impedir a votação. As negociações para destravar a proposta foram retomadas após um período de distanciamento entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Aceleração da tramitação e expectativa de votação
Com o objetivo de acelerar a análise da proposta, o governo Lula anunciou ter conseguido as assinaturas necessárias para apresentar um requerimento de calendário especial. Esse pedido, a ser protocolado por um grupo de senadoras, pode permitir que a PEC seja votada em dois turnos já nesta quarta-feira (14 de outubro). Para ser aprovada, a Proposta de Emenda à Constituição necessita de, no mínimo, 49 votos favoráveis em cada um dos turnos. O desfecho dessa votação promete impactar diretamente a vida de milhões de trabalhadores brasileiros, redefinindo as bases das relações de trabalho no país.
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