Lula e Moraes estreitam relação desde eleição de 2022; veja vídeo
A proximidade entre Lula e Alexandre de Moraes cresceu após a eleição de 2022 e os acontecimentos do 8 de Janeiro, mas a crise envolvendo o ministro no STF transformou a associação em um desafio para a campanha petista.

Divulgação
De 2022 ao 8 de Janeiro
A aproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ganhou força após a eleição de 2022 e se tornou mais evidente depois dos ataques às sedes dos Três Poderes. O que começou como convergência em torno da defesa das instituições passou a ser interpretado como uma relação política cada vez mais próxima.
Na diplomação de Lula, em dezembro de 2022, Moraes classificou o resultado eleitoral como uma “vitória da democracia”. Nos meses seguintes, como relator dos processos relacionados ao 8 de Janeiro, o ministro assumiu papel central nas investigações e nas decisões que resultaram na condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Defesa pública no Brasil e no exterior
Lula passou a defender publicamente o trabalho de Moraes. Em setembro de 2026, afirmou que o ministro prestou “grandes serviços à democracia brasileira”, destacando sua atuação na Presidência do Tribunal Superior Eleitoral e no julgamento dos envolvidos na tentativa de ruptura institucional.
A relação também ganhou dimensão internacional em 2025, quando Moraes foi incluído em sanções dos Estados Unidos pela Lei Magnitsky. O governo brasileiro passou a tratar a revogação das medidas como tema de negociação com Washington. Lula discutiu o assunto com Donald Trump e, em dezembro daquele ano, os norte-americanos retiraram o ministro da lista.
Interlocução com Alcolumbre
A proximidade ganhou ainda um componente estratégico. Moraes mantém boas relações com Davi Alcolumbre, presidente do Senado, e passou a atuar como interlocutor em conversas com Lula. Em agosto de 2026, os três se reuniram na residência do ministro, em Brasília, em um encontro que contribuiu para reatar o diálogo entre o presidente da República e o presidente do Senado.
Crise no STF muda o cenário
A crise envolvendo questionamentos sobre relações de Moraes com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, alterou o cálculo político em torno da aproximação. Em 15 de setembro de 2026, os ministros do Supremo discutiram os rumos do caso durante uma sessão marcada por divergências. Uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes adiou a análise de fundo.
O pedido de vista de Flávio Dino interrompeu a deliberação. Pelo Regimento Interno do STF, o processo pode retornar à pauta em até 90 dias, o que pode levar a decisão para depois das eleições de outubro. O adiamento foi considerado favorável a Moraes, mas mantém o tema vivo durante a reta final da campanha.
Campanha tenta separar as trajetórias
A campanha de Lula avalia como reduzir a associação entre o presidente e o ministro. A estratégia é destacar que Moraes foi indicado ao Supremo por Michel Temer em 2017 e que, antes de se aproximar de Lula, adotou decisões contrárias aos interesses do petista e de aliados do PT.
Lula também tentou separar sua responsabilidade da indicação de Moraes ao STF, lembrando que não era presidente da República em 2017. Apesar disso, os elogios mútuos, a defesa das sanções e a atuação em episódios políticos recentes dificultam a tentativa de apresentar a relação como uma aliança circunstancial.
Para o petismo, Moraes continua sendo uma figura importante na defesa das instituições e na condenação dos atos golpistas. Para a campanha, porém, o desafio é evitar que a crise no Supremo transforme uma proximidade construída nos últimos anos em um fator de desgaste durante a disputa eleitoral.
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