Lula diz que há 'muita gente com medo' de vazamentos do caso Banco Master
Presidente criticou a divulgação parcial de dados da investigação e voltou a defender a quebra dos sigilos relacionados ao Banco Master. Lula também fez acusações contra Daniel Vorcaro e afirmou que o caso envolve autoridades de diferentes setores.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que há “muita gente com medo” de que novos detalhes sobre o caso Banco Master sejam divulgados. Durante entrevista nesta sexta-feira (18), o petista criticou o que classificou como vazamento seletivo de informações sob análise do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Críticas à divulgação parcial de dados
Lula sustentou que parte do conteúdo ainda não veio a público e que as próximas revelações poderiam envolver autoridades com relações próximas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ao comentar o material que, segundo ele, está sendo extraído de aparelhos apreendidos, o presidente resumiu a situação com a expressão “orgia e mais orgia”.
Em tom de crítica, Lula disse que Vorcaro teria usado recursos e benefícios para estabelecer ligações com figuras influentes. “Ele corrompe com todo mundo”, afirmou, acrescentando que o empresário organizaria encontros com mulheres vindas de outros países para empresários brasileiros. As declarações foram feitas sem que o presidente apresentasse, durante a entrevista, documentos que detalhassem as acusações.
Acusações contra Daniel Vorcaro
O presidente também relacionou a ascensão de Vorcaro ao período em que Jair Bolsonaro comandou o Palácio do Planalto. Segundo Lula, o Banco Master teria crescido nesse intervalo e acumulado prejuízos de R$ 60 bilhões. Ele afirmou ainda que o caso não se restringiria à instituição, pois envolveria outros bancos e fundos de pensão ligados a governos estaduais.
Lula disse que a investigação identificou operações com títulos que, na avaliação do governo, não existiriam. O petista garantiu que Vorcaro procurou o Planalto para reclamar de dificuldades enfrentadas pelo banco, mas afirmou que a resposta foi clara: a instituição seria investigada e, se estivesse regular, permaneceria em funcionamento. “E fechamos, porque não estava correto”, declarou.
Quebra de sigilos e pressão política
O presidente e o PT avaliam que as investigações sobre o Banco Master estão sendo conduzidas de forma eleitoralmente seletiva. Por esse motivo, defendem a quebra de todos os sigilos relacionados ao caso, incluindo dados bancários, fiscais, telefônicos e digitais que possam esclarecer a extensão das operações e eventuais relações com autoridades.
Lula afirmou que as informações alcançam pessoas de diferentes setores da República, incluindo ministros do STF, deputados e senadores. Segundo ele, cinco ministros do Supremo teriam algum tipo de ligação direta ou indireta com o caso, embora não tenha detalhado a natureza dessas supostas conexões.
O petista voltou a defender uma reforma do Poder Judiciário, mas afirmou que o caso Banco Master precisa ser esclarecido antes. “Antes de fazer essa reforma, nós temos que resolver esse problema”, disse. Lula também pediu cautela ao governo e às autoridades, afirmando que não deve haver “pirotecnia” antes da conclusão das investigações.
As declarações aumentam a pressão política em torno do caso e reforçam a disputa sobre o ritmo e a forma de divulgação das informações. A apuração dos fatos, no entanto, dependerá da apresentação de provas, do contraditório e da conclusão dos procedimentos conduzidos pelas autoridades competentes.
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