Lula lança ação integrada contra o crime organizado no Rio de Janeiro
Iniciativa integra inteligência e policiamento de órgãos federais, estaduais e municipais para bloquear rotas do crime, retomar territórios e fortalecer a segurança urbana.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou no Rio de Janeiro uma ação integrada de segurança pública envolvendo a Polícia Rodoviária Federal, a Força Nacional, as polícias Civil e Militar do estado e a Guarda Municipal da capital. A estratégia prevê o compartilhamento de informações, o policiamento conjunto em rotas estratégicas e a atuação coordenada para enfrentar facções e milícias.
Plano combina inteligência, repressão e ocupação territorial
Lula definiu três eixos para a iniciativa: dificultar a logística e a mobilidade do crime organizado, retomar áreas dominadas por grupos criminosos e aumentar a capacidade dos municípios para atuar na prevenção e no combate à violência. O governo classifica o projeto como piloto e avalia que um resultado positivo no Rio de Janeiro pode servir de modelo para outras regiões do país.
A primeira frente, chamada de corredores logísticos, concentra ações nas divisas do estado com São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, além de vias importantes da região metropolitana. Estão no centro da estratégia a Avenida Brasil, as rodovias Vermelha e Amarela, o Porto do Rio e o Aeroporto Internacional do Galeão.
O segundo eixo trata da reocupação territorial. A proposta inclui inteligência sobre a atuação das facções, apoio tático, rastreamento financeiro e intervenções em mercados explorados pelo crime. O objetivo é combinar operações policiais com medidas capazes de reduzir a capacidade econômica das organizações criminosas.
Guarda Municipal receberá reforço e treinamento
Acordos de cooperação técnica foram firmados com o governo do estado e a Prefeitura do Rio. Pela proposta, 386 novos integrantes da Guarda Municipal serão capacitados pela PRF, somando-se aos 600 agentes já formados. O grupo deve compor a Força Municipal, destinada a atuar em pontos considerados críticos.
O prefeito Eduardo Cavaliere informou que o Rio foi a primeira cidade a integrar o Sistema Nacional de Inteligência. Segundo ele, imagens e dados do Civitas Rio, sistema municipal de monitoramento, são enviados em tempo real às forças estaduais e federais. Cinco divisas da cidade já recebem acompanhamento, com planejamento para ampliar a rede a 50 pontos.
Medida integra programa nacional contra o crime organizado
A ação no Rio amplia o Programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado em 2026 após a sanção da Lei Antifacção. O programa prevê R$ 11,1 bilhões em recursos, sendo R$ 1,065 bilhão do Orçamento federal e R$ 10 bilhões em crédito do BNDES para estados e municípios.
Entre as prioridades estão o bloqueio financeiro de organizações criminosas, o combate ao tráfico de armas, a segurança de presídios e a investigação de homicídios. Também estão previstos R$ 330,6 milhões para reforçar a segurança de 138 unidades prisionais onde, segundo o governo federal, estão detidos líderes do crime organizado.
PEC pode criar Ministério da Segurança Pública
Lula afirmou que, se a PEC da Segurança Pública for aprovada, criará um ministério específico para o setor, com orçamento próprio e atribuições definidas para União, estados e municípios. A proposta, que tramita no Senado, busca reorganizar a cooperação federativa em uma área historicamente concentrada nas responsabilidades estaduais.
O presidente também defendeu que a resposta ao crime organizado combine inteligência, controle financeiro e ocupação territorial. Ele rejeitou a classificação genérica das facções como organizações terroristas, argumento usado por adversários políticos, e afirmou que o terrorismo deve ser associado a ações voltadas à disputa de poder, como os ataques de 8 de janeiro.
A iniciativa ocorre em um cenário de forte disputa política sobre segurança pública. O senador Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula, critica a atuação do governo federal e promete classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas. Com o projeto no Rio, o governo tenta apresentar uma agenda própria e demonstrar capacidade de articulação entre as diferentes esferas no enfrentamento ao crime organizado.
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