Lula detalha plano de segurança com polícia permanente e recrutas do Exército no combate ao crime
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou propostas abrangentes para a segurança pública, que incluem a presença policial contínua em comunidades e o aproveitamento de jovens que deixam as Forças Armadas para reforçar uma nova força nacional. As ideias buscam uma atuação mais integrada e estratégica do Estado, com foco no desmantelamento financeiro do crime organizado e na pacificação de áreas vulneráveis através de políticas públicas.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) delineou, neste domingo, 27 de setembro de 2026, um ambicioso plano para a segurança pública brasileira, com foco na presença contínua do Estado em comunidades e no aproveitamento estratégico de jovens que concluem o serviço militar. As propostas, apresentadas em entrevista ao programa “Canal Livre”, da Band, visam a uma abordagem multifacetada para combater o crime organizado e garantir a pacificação de áreas vulneráveis, indo além das operações pontuais e buscando uma integração mais profunda de políticas públicas e forças de segurança.
Polícia permanente e presença estatal nas comunidades
A pedra angular da estratégia do presidente é a manutenção de forças policiais de forma permanente nas comunidades, contrariando o modelo de operações esporádicas. Lula enfatizou que a mera ocupação policial, embora necessária, não é suficiente. É fundamental que o Estado se faça presente de maneira abrangente, com investimentos em educação, formação profissional, cultura e lazer, criando um ambiente onde o crime encontre menos espaço para prosperar. Essa visão integrada reconhece que a segurança é um pilar que se sustenta com o suporte de outras políticas sociais, promovendo desenvolvimento e oportunidades para os moradores.
O presidente defendeu que a atuação policial seja contínua e pautada pela inteligência, utilizando dados e informações para otimizar as ações e reduzir a necessidade de intervenções mais “brutas” em até 50%. A experiência mostra, segundo ele, que operações pontuais apenas afastam temporariamente os grupos criminosos, que rapidamente retomam o controle dos territórios após a saída das forças de segurança. A proposta, portanto, é de uma presença policial ostensiva e investigativa que se estabeleça e se consolide, não de uma ocupação militar, mas de um policiamento comunitário e estratégico.
Ex-militares na linha de frente contra o crime organizado
Outro pilar inovador das propostas de Lula envolve a criação de uma nova força nacional de segurança, composta por jovens que concluem o período de serviço nas Forças Armadas. O presidente indicou que pretende estudar mudanças na legislação para viabilizar a incorporação desses profissionais, que já possuem formação, disciplina e experiência adquiridas no ambiente militar. A ideia seria canalizar essa capacidade para o combate ao crime organizado, oferecendo uma transição e aproveitamento de talentos que de outra forma retornariam à vida civil sem uma estrutura de aproveitamento direcionada.
Lula revelou que já discutiu a ideia com o comandante do Exército, general Tomás Ribeiro Paiva, e está em busca de um arcabouço legal para manter parte desses jovens talentos no serviço público. Essa iniciativa não apenas fortaleceria as frentes de combate ao crime organizado, mas também representaria um reconhecimento do valor da formação militar, oferecendo um caminho de continuidade profissional para muitos. A criação dessa força seria um diferencial estratégico para o país na luta contra grupos criminosos cada vez mais estruturados.
Estrutura federal de segurança e combate às cúpulas criminosas
As propostas de segurança do presidente se inserem em um contexto mais amplo de reestruturação federal. Lula mencionou a intenção de, caso a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública (PEC 18 de 2025) seja aprovada, criar um Ministério da Segurança Pública e uma “polícia especial” com capacidade para atuar em diversas situações e em diferentes níveis. Essa PEC busca uma maior integração entre os órgãos federais, estaduais e municipais, institucionalizando o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) na Constituição.
O foco central da estratégia federal de Lula será o combate às lideranças e ao financiamento das facções criminosas. A meta é “asfixiar economicamente” esses grupos, alcançando o que ele descreveu como o “andar de cima” das organizações. Essa abordagem visa desestruturar as redes criminosas em sua base financeira e organizacional, em vez de se limitar a confrontos diretos que muitas vezes resultam em violência e pouca desarticulação efetiva. O presidente criticou explicitamente operações pautadas apenas por ações letais, reforçando a necessidade de o Estado manter sua presença e atuação nas comunidades mesmo após as intervenções, consolidando a pacificação.
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