Papa celebra missa para multidão em Paris, em local marcado pela história da Revolução Francesa
Em um evento que reuniu cerca de 800 mil fiéis na Place de la Concorde, o Papa Francisco lembrou a importância da fé pública e das raízes cristãs da França, em um local que foi palco de eventos cruciais da Revolução Francesa, incluindo a execução de Luís XVI.

Divulgação
O Papa Francisco presidiu, no último sábado (26.set.2026), uma missa que atraiu uma multidão estimada em 800 mil pessoas à Place de la Concorde, no coração de Paris. A cerimônia, organizada pela Santa Sé e dedicada à Virgem Maria, mãe de Jesus, marcou a primeira visita de um pontífice à capital francesa em 18 anos. O evento ganha contornos históricos ao ocorrer em um local emblemático, palco de momentos cruciais da Revolução Francesa, como a execução do rei Luís XVI.
Um local de contrastes históricos
A escolha da Place de la Concorde para a celebração não foi aleatória. Na época da Revolução Francesa, o local era conhecido como Place de la Révolution e foi o cenário de diversas execuções, incluindo a do rei Luís XVI, monarca com forte ligação com a Igreja Católica. A cerimônia religiosa de sua coroação, em 1775, era parte de uma tradição secular que legitimava a monarquia francesa. A presença do Papa neste espaço evoca um diálogo entre a fé e a história, entre a tradição religiosa e os ideais revolucionários que moldaram a França moderna.
Mensagem de fé pública e raízes cristãs
Em sua homilia, o Papa Francisco centrou sua mensagem na figura de Cristo como a "fonte de água viva", ressaltando que os anseios humanos por sentido e realização não podem ser plenamente satisfeitos apenas por bens materiais. Ele dirigiu um apelo direto aos católicos franceses, incentivando-os a expressar sua fé publicamente: "Não guardeis a fé em Jesus Cristo só para vós mesmos". O pontífice também destacou a herança de uma "longa e bela história sacra" da França, encorajando a construção de uma "nação renovada" a partir de suas raízes cristãs, e expressou seu desejo de que "a água viva do Espírito Santo" se espalhasse por todo o país.
Sinais de renovação e o cenário religioso francês
A magnitude da concentração de fiéis alimentou entre os católicos a interpretação de que a visita papal sinaliza uma possível renovação da presença pública da Igreja na França. Imagens da multidão circularam intensamente em comunidades católicas nas redes sociais, vistas como um indício de um renascimento católico em um país cada vez mais secularizado. Pesquisas recentes indicam uma diminuição na proporção de católicos na França ao longo das décadas, contrastando com o crescimento de outras religiões e do número de pessoas sem afiliação religiosa. A lei de 1905, que separou Igreja e Estado, é um marco dessa secularização, embora garanta a liberdade de consciência e o livre exercício dos cultos.
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