Lula anuncia intenção de encerrar atividades das bets no país
Durante ato de campanha em Guarulhos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende acabar com as bets, relacionando o setor ao endividamento de famílias e à lavagem de dinheiro. O país já adota restrições à publicidade e ao acesso de beneficiários de programas sociais.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante um ato de campanha em Guarulhos, na Grande São Paulo, que pretende encerrar as atividades das bets no Brasil. A declaração foi feita em 18 de setembro de 2026, em evento que reuniu integrantes da chapa e aliados políticos, e reforçou a posição crítica que o petista tem adotado publicamente em relação às apostas de quota fixa.
Presidente relaciona bets a endividamento e crimes financeiros
“Decidi que vou acabar com as bets”, disse Lula. Ao justificar a decisão, o presidente citou casos de apostadores que teriam desenvolvido dependência e enfrentado dificuldades financeiras. Ele classificou a atividade como uma “doença” e afirmou que a interrupção do setor contribuiria para combater a lavagem de dinheiro, além de reduzir práticas irregulares associadas ao mercado.
A fala não apresentou, naquele momento, detalhes sobre instrumentos jurídicos, cronograma ou eventual proposta legislativa para viabilizar o encerramento das empresas. Ainda assim, a declaração indica uma possível mudança de rumo na política federal para o setor, que passou por regulamentação recente e hoje opera mediante autorização, tributação e regras específicas do Poder Público.
Restrições já afetam publicidade e beneficiários de programas sociais
O governo federal já havia adotado medidas para limitar a exposição e o acesso às plataformas de apostas. Entre as restrições estão regras mais rígidas para a publicidade das casas de apostas e o bloqueio do cadastro de beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) em sites de bets. Essas ações fazem parte de uma política que busca reduzir os riscos de superendividamento e proteger grupos considerados mais vulneráveis.
O debate sobre as apostas ganhou força à medida que aumentaram as preocupações com o crescimento do endividamento das famílias e com o uso das plataformas por pessoas que desenvolvem comportamento compulsivo. Defensores da regulamentação argumentam que o setor gera arrecadação e empregos, enquanto críticos destacam os impactos sociais e a necessidade de controles mais rigorosos.
Evento reuniu aliados em campanha por São Paulo
Também estiveram presentes ao ato a primeira-dama Janja Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o candidato ao governo paulista Fernando Haddad (PT) e as candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). A nova manifestação de Lula deve reacender o debate político sobre o futuro das bets e sobre a extensão dos controles aplicados ao setor no Brasil.
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