Lula diz que seleção e clubes foram campeões mundiais sem bets
Em evento em Guarulhos, o presidente rebateu clubes que defendem a manutenção das casas de apostas no futebol e voltou a propor o fim das plataformas. Debate sobre dependência financeira do esporte ganha força em ano eleitoral.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (18), que clubes brasileiros e a seleção conquistaram seus principais títulos mundiais antes da entrada das casas de apostas no país. Durante um evento em Guarulhos, na Grande São Paulo, o petista usou exemplos do futebol para defender sua proposta de encerrar as atividades das bets e rebater argumentos de que a medida prejudicaria o esporte.
Títulos citados por Lula
Lula lembrou que São Paulo, Santos, Grêmio, Flamengo, Internacional e Corinthians venceram Mundiais sem patrocínio de apostadoras. Ele destacou as três conquistas do São Paulo, as duas do Santos e as duas do Corinthians, além dos títulos de Grêmio, Flamengo e Internacional. O último troféu mundial conquistado por uma equipe brasileira foi pelo próprio Corinthians, em 2012, seis anos antes da autorização legal das apostas de quota fixa no Brasil, assinada em 2018 durante o governo Michel Temer.
O presidente também citou as cinco conquistas da seleção brasileira em Copas do Mundo: 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. Ao dizer que o país não ganhou mais nada depois da chegada das bets, Lula se referiu aos títulos máximos que utilizou em sua argumentação. A fala ignora outras competições vencidas por clubes e pela seleção nesse período, mas reforça a tentativa do governo de questionar a relação entre apostas e sucesso esportivo.
Clubes alertam para perda de patrocínio
A declaração foi feita um dia depois de clubes brasileiros divulgarem um manifesto contra possíveis restrições às bets pelo governo federal. As equipes argumentam que a retirada dos contratos de patrocínio poderia provocar uma crise financeira e levar ao chamado fim do futebol brasileiro. Dirigentes defendem que parte relevante dos orçamentos de várias agremiações passou a depender dos recursos oferecidos pelas plataformas.
Críticos do modelo, porém, apontam riscos sociais associados ao crescimento das apostas, incluindo endividamento de usuários, publicidade dirigida a jovens e possíveis irregularidades operacionais. O desafio para o governo será combinar eventual restrição às empresas com regras de transição que evitem um impacto abrupto sobre clubes, competições e contratos já firmados.
Debate chega ao ano eleitoral
A possibilidade de o Executivo editar uma medida provisória para proibir cassinos on-line e limitar as apostas esportivas coloca o tema no centro da disputa política. A decisão, caso seja confirmada a 16 dias do primeiro turno das eleições de 2026, pode influenciar o debate público em um momento de forte rejeição às bets nas redes sociais. Uma enquete entre internautas registrou 88% de críticas ao manifesto dos clubes, ante 12% de apoio, embora levantamentos desse tipo não representem necessariamente o conjunto da população.
Com clubes pressionando contra a interrupção dos patrocínios e o Planalto defendendo uma regulação mais rígida, a discussão deve avançar nos próximos dias. O episódio expõe uma tensão crescente no futebol nacional: de um lado, a necessidade de equilibrar receitas e sustentabilidade financeira; de outro, a exigência de controlar os efeitos sociais e econômicos de um mercado que cresceu rapidamente no país.
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