Lula afirma haver candidato ligado a milícias no Rio sem citar nomes
Durante debate sobre segurança pública, corrupção e crime organizado, Lula disse existir no Rio de Janeiro um candidato com ligações com milícias. O presidente não citou nomes, mas mencionou a família Bolsonaro e cobrou uma atuação mais firme contra organizações criminosas.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2026, que existe no Rio de Janeiro um candidato à Presidência com ligações com milícias. A declaração foi feita durante uma entrevista sobre segurança pública, corrupção e a relação entre crime organizado e política no estado. Lula não mencionou nenhum nome diretamente, mas citou a família Bolsonaro no contexto da discussão.
Declaração sobre crime organizado e política
“Você sabe que tem um candidato que é ligado aqui do Rio de Janeiro”, disse o presidente. A fala ocorreu em meio a uma avaliação sobre os impactos da atuação de organizações criminosas na vida política e na segurança das comunidades fluminenses. Ao comentar o tema, Lula destacou que o Rio possui grande potencial econômico e turístico, mas enfrenta problemas históricos relacionados à ocupação de territórios por grupos armados.
A menção à família Bolsonaro reforçou a interpretação de que a crítica se dirigia, indiretamente, ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Lula também comentou a relação política e funcional do senador com Daniel Vorcaro. “Está enterrado até o pescoço com essa relação promíscua com o Vorcaro”, afirmou, sem detalhar novos elementos durante a conversa.
Investigações envolvendo o gabinete de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro teve relações políticas e funcionais com pessoas posteriormente identificadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como integrantes de grupos milicianos. Uma das conexões mais citadas nas investigações envolve Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope apontado pelas autoridades como um dos líderes do grupo conhecido como Escritório do Crime. Nóbrega morreu em 2020, durante uma operação policial na Bahia.
A mãe e a ex-mulher de Nóbrega foram nomeadas para cargos no gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio. Segundo o Ministério Público fluminense, parte dos salários recebidos pelas duas teria sido repassada ao esquema de “rachadinha” investigado no gabinete. Outro nome presente nas apurações foi Fabrício Queiroz, ex-assessor e ex-chefe de gabinete do senador, apontado como interlocutor de Nóbrega e envolvido em operações com empresas controladas pelo ex-policial militar.
As acusações relacionadas a Flávio Bolsonaro nesse caso foram arquivadas após a anulação de provas pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal. A declaração de Lula, portanto, reacende um episódio que já foi alvo de investigações, embora o presidente não tenha apresentado detalhes ou citado nominalmente o senador durante a entrevista.
Lula defende ampliação da atuação federal
Ao falar sobre segurança pública, Lula defendeu uma atuação conjunta entre a União e os estados no combate ao crime organizado. Segundo ele, o governo trabalha para ampliar a participação federal nas ações contra organizações que exercem controle sobre territórios, comunidades e unidades prisionais.
“Não vamos aceitar que o crime tome conta da rua, da vila, do bairro, da escola, da igreja. Vamos retomar isso”, afirmou. O presidente também disse que o governo identificou organizações criminosas com influência em 138 cadeias do país e defendeu a transformação desses presídios em unidades de segurança máxima.
A declaração foi feita a 16 dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Além de colocar a segurança pública no centro do debate eleitoral, a fala amplia a disputa política em torno da atuação de milícias no Rio de Janeiro e da relação entre crime organizado, instituições públicas e representantes eleitos.
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