Lula afirma haver candidato à Presidência com vínculos a milícias no Rio
Durante entrevista sobre segurança pública, Lula disse que há um candidato à Presidência ligado a milícias no Rio de Janeiro. O presidente não citou nomes diretamente, mas fez referência a Flávio Bolsonaro e cobrou ações contra a influência do crime organizado na política.

Divulgação
Declaração sobre crime organizado e política
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que há um candidato à Presidência da República com ligações a milícias no Rio de Janeiro. A declaração foi feita durante uma entrevista sobre segurança pública, corrupção e a relação entre organizações criminosas e estruturas políticas no estado. Lula não citou nominalmente o candidato, mas a fala foi interpretada como uma referência indireta a Flávio Bolsonaro.
Ao comentar o cenário político fluminense, o presidente destacou que o Rio de Janeiro possui relevância econômica e turística, mas enfrenta problemas graves relacionados ao domínio de territórios por grupos criminosos. Para Lula, a situação exige mudanças nos mecanismos de combate à corrupção e fortalecimento das ações de segurança pública.
Menção a Flávio Bolsonaro
Durante a conversa, Lula mencionou a família Bolsonaro no contexto da discussão sobre milícias e poder político. Ao tratar especificamente de Flávio, o presidente criticou a relação do senador com Daniel Vorcaro, apontado em investigações como figura ligada a grupos milicianos. A afirmação reforça um tema recorrente no debate sobre a atuação de investigados por crimes ligados ao crime organizado na vida política do país.
Flávio Bolsonaro teve relações políticas e funcionais com pessoas posteriormente apontadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como integrantes ou próximas de grupos milicianos. Entre os casos mais conhecidos estão as nomeações da mãe e da ex-mulher de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope identificado pelo MP-RJ como integrante do chamado Escritório do Crime. Houve suspeitas de repasse de parte dos salários no episódio conhecido como rachadinha.
Outro nome presente nas investigações foi Fabrício Queiroz, ex-assessor e ex-chefe de gabinete de Flávio. Ele foi apontado como intermediador em movimentações relacionadas ao caso. É importante destacar que parte das acusações contra o senador foi arquivada após anulações de provas decididas pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal.
Lula defende retomada de áreas dominadas pelo crime
Além da declaração eleitoral, Lula defendeu uma atuação conjunta entre União, estados e municípios no combate ao crime organizado. O presidente afirmou que não é possível aceitar que grupos criminosos controlem ruas, bairros, escolas, igrejas e comunidades, e disse que o governo federal busca ampliar sua participação nas ações de segurança.
Lula também afirmou que o governo identificou organizações criminosas com influência dentro do sistema prisional. Segundo ele, o crime organizado comanda 138 cadeias no país, número que motivou a defesa de transformação dessas unidades em presídios de segurança máxima.
A fala ocorre a 16 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro. Em um momento de intensificação da campanha, a declaração do presidente coloca novamente no centro do debate a relação entre política, segurança pública e investigações sobre milícias no Rio de Janeiro.
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