Lula afirma a pastores que não faz campanha dentro de igrejas
Durante encontro com lideranças religiosas no Palácio do Planalto, Lula disse que considera os templos espaços dedicados à fé e não à campanha eleitoral. A reunião ocorre em meio aos esforços do presidente para ampliar o diálogo com evangélicos antes da disputa pela reeleição.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (16 de setembro de 2026) que não realiza comícios ou atos de campanha dentro de igrejas. A declaração foi dada durante um encontro com pastores brasileiros e estrangeiros no Palácio do Planalto, em Brasília.
Lula separa atividade religiosa de campanha eleitoral
Segundo Lula, os templos devem ser preservados como ambientes de fé, oração e convivência espiritual. “Se eu quiser fazer política e comício, eu faço na rua, mas na igreja eu não faço. Em nenhuma igreja”, disse o presidente, ao acrescentar que a religião é “uma coisa sagrada”.
Participaram da reunião integrantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, representantes de igrejas dos Estados Unidos e de Cuba, além de autoridades brasileiras. A primeira-dama Janja Lula da Silva e o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, também estiveram presentes.
Encontro ocorre durante aproximação com evangélicos
A agenda integra os esforços do governo e do PT para ampliar o diálogo com lideranças evangélicas e reduzir a resistência existente em parte do eleitorado religioso. Levantamento PoderData/Aya realizado entre 9 e 12 de agosto de 2026 apontou que 62% dos evangélicos desaprovam Lula.
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito declarou apoio à reeleição do presidente em agosto. Em documento divulgado naquele momento, o movimento avaliou que a permanência de Lula no poder está alinhada a valores cristãos e criticou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
Durante o encontro, um pastor ligado à frente destacou que os evangélicos formam um grupo diverso e que não existe uma única liderança capaz de representar todo o segmento. Ele afirmou que Lula possui “amigos entre os evangélicos” e pode manter diálogo com diferentes igrejas.
Messias defende púlpito livre de disputas políticas
Jorge Messias também defendeu a separação entre fé e disputa eleitoral. Para o ministro, o púlpito é um espaço sagrado e não deve ser utilizado como instrumento de campanha. Ele afirmou que a mensagem cristã está relacionada ao amor, à compaixão e ao apoio ao próximo, não à conquista de governos.
Messias ressaltou que valores como liberdade, solidariedade e não discriminação fazem parte da tradição cristã. Na avaliação do ministro, a fé não deve ser tratada como confronto ideológico, mas como base para ações de acolhimento e responsabilidade social.
Lula anuncia proposta de cuidado para idosos
Lula informou que pretende criar, em 2026, uma política voltada ao cuidado de idosos que vivem isolados. Segundo o presidente, as igrejas poderão ajudar na identificação dessas pessoas e na promoção de atividades de convivência, lazer e integração comunitária.
O presidente também falou sobre guerras e criticou o uso de recursos em armamentos enquanto faltam investimentos em saúde, educação e alimentação. Ele citou os conflitos entre Rússia e Ucrânia e no Oriente Médio e informou que levará essa discussão à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em 23 de setembro.
O encontro não contou com jornalistas nem transmissão ao vivo. As falas foram disponibilizadas posteriormente aos repórteres. A iniciativa reforça uma agenda de aproximação que já incluiu reuniões com mórmons, entidades religiosas e representantes de diferentes setores da sociedade.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








