Janja: a primeira-dama que saiu do discurso para a linha de frente da campanha
Primeira-dama participou ativamente de 29 eventos eleitorais e priorizou pautas femininas, demonstrando um papel estratégico e articulador.

Divulgação
Durante o período eleitoral, que se estendeu de meados de agosto ao início de outubro, a primeira-dama Janja da Silva demonstrou uma atuação marcante, participando de 29 eventos em prol da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em quatro dessas ocasiões, o presidente não esteve presente, evidenciando a autonomia e a força da agenda própria da primeira-dama.
Além de sua presença em atos de campanha, Janja manteve uma agenda paralela com 48 compromissos divulgados, dos quais sete foram especificamente dedicados a pautas femininas. Sua atuação abrangeu ainda temas como governo, cultura, educação, entrevistas, meio ambiente, infraestrutura e encontros com autoridades estrangeiras, configurando um espectro amplo de suas preocupações e articulações.
Janja: a articuladora que vai além do tradicional papel de primeira-dama
Em declarações anteriores, Janja se autodefine como uma “articuladora” no governo, com o respaldo do presidente. Essa visão é corroborada por lideranças políticas, que a descrevem como uma figura que não se encaixa no modelo tradicional de primeira-dama, mas sim como uma “liderança” com capacidade de diálogo com diferentes públicos. Sua influência na campanha foi particularmente notável na mobilização do eleitorado feminino, segmento que representa a maioria do eleitorado brasileiro e que, segundo o próprio presidente, foi alertado por ela sobre a importância de pautas voltadas às mulheres.
A primeira-dama também se mostrou sensível a questões sociais urgentes, como a violência contra a mulher. Relatos indicam que ela se emocionou profundamente ao acompanhar casos de feminicídio, o que motivou o presidente Lula a intensificar o combate a essa problemática como uma bandeira de sua campanha. Essa empatia e engajamento pessoal conferem uma dimensão humana e autêntica à sua atuação política.
A atuação de Janja na campanha também se estendeu à busca por aproximação com o eleitorado evangélico, historicamente um desafio para o PT. A gravação de um jingle com o cantor e pastor Kleber Lucas é um exemplo dessa estratégia. Além disso, ela participa ativamente de reuniões estratégicas, despachando com a equipe de campanha e influenciando decisões importantes, como a escolha de artistas e a ordem de apresentações em eventos de lançamento e comícios. Sua presença em comícios, onde discursa e convoca o eleitorado, reforça seu papel como uma voz ativa e influente na mobilização política.
Fora do período eleitoral, Janja mantém uma agenda oficial, acompanhando o presidente em viagens internacionais e participando de iniciativas governamentais, como o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. Sua presença na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, onde se reuniu com outras primeiras-damas, demonstra sua projeção internacional e seu compromisso com causas globais.
Geograficamente, a primeira-dama concentrou sua atuação em eventos no Distrito Federal, com 16 compromissos, seguidos por São Paulo e Rio de Janeiro, com cinco eventos cada. Minas Gerais também recebeu sua visita, com quatro compromissos. Sua presença se estendeu a diversos outros estados, demonstrando um esforço abrangente de capilaridade e conexão com diferentes regiões do país.
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