Internautas citam protestos no Nepal durante sessão no STF sobre Moraes
Mensagens nas redes sociais compararam o julgamento no Supremo e pediram atos semelhantes aos ocorridos no Nepal. Pedido de vista de Flávio Dino suspende a análise sobre Alexandre de Moraes.

Divulgação
A sessão realizada nesta terça-feira (15) no Supremo Tribunal Federal (STF) reacendeu debates acalorados nas redes sociais sobre uma possível investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Durante a transmissão e os comentários sobre o julgamento, parte dos internautas passou a associar o momento político do Brasil aos protestos ocorridos no Nepal em 2025.
Referências ao Nepal ganham força no X
O termo “Nepal” apareceu entre os assuntos mais comentados no X no Brasil na tarde desta terça-feira, ao lado de “Supremo” e “O STF”. Em publicações sobre a sessão, usuários sugeriram que episódios semelhantes aos registrados no país asiático deveriam ser reproduzidos no Brasil como resposta ao que classificavam como impunidade.
As manifestações no Nepal derrubaram o governo do então primeiro-ministro Khadga Prasad Oli em 2025. O estopim foi a decisão de bloquear o acesso a várias plataformas de redes sociais, mas os protestos também refletiam a insatisfação de jovens com a corrupção, a desigualdade econômica e a falta de oportunidades. Durante os distúrbios, prédios governamentais e residências de políticos foram incendiados, além de integrantes do governo terem sido agredidos pela multidão.
Manifestação convocada nas redes
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também comentou nas redes. Em uma publicação, perguntou por que Nepal estava nos assuntos mais comentados, destacando a coincidência com a data da sessão no STF. Em outro post, o parlamentar defendeu a realização de um ato contra Moraes: “Próxima sessão [do STF] o Brasil deveria parar e ir pras ruas. De preto, em luto por esse país. Um telão e a indignação das pessoas. E só”.
Em resposta, uma apoiadora escreveu que o Nepal havia dado “a dica” e que o Brasil deveria seguir o exemplo, classificando o movimento como um “sucesso”. As mensagens reforçaram o tom de confronto que tomou conta das redes durante o julgamento.
Pedido de vista suspende julgamento
O STF adiou a decisão sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes por causa de um pedido de vista apresentado pelo ministro Flávio Dino. Pelo regimento da Corte, Dino pode devolver o processo em até 90 dias, o que abre a possibilidade de a análise ser retomada depois das eleições de outubro.
Bate-boca e placar dividem o plenário
Antes do início do julgamento, o ministro decano Gilmar Mendes propôs uma questão de ordem. Ele argumentou que haveria procedimentos equivocados adotados por André Mendonça e defendeu que o caso de Moraes fosse analisado na semana seguinte, quando também seria apreciado um pedido de suspeição contra o próprio Mendonça.
A sessão foi marcada por críticas duras entre os ministros. Gilmar e Mendonça trocaram acusações e se classificaram mutuamente como levianos. No fim da tarde, durante novo confronto, Dino pediu vista e interrompeu o andamento do processo. Cármen Lúcia ainda apresentou voto sobre a questão de ordem antes da suspensão.
O placar da proposta de Gilmar ficou dividido: a favor votaram Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes; contra, André Mendonça, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Luiz Fux. Dias Toffoli não votou por estar sob análise de suspeição, e Nunes Marques estava impedido. Com o pedido de Dino, a decisão sobre a investigação contra Moraes ficou suspensa por prazo indeterminado.
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