Haddad chama juros de 14% de “injustificáveis” com inflação de 4%
Candidato do PT ao governo de São Paulo criticou a condução da política monetária e afirmou que a Selic está excessivamente apertada. Ele também comentou a dívida pública e defendeu os indicadores econômicos do governo Lula.

Divulgação
Crítica à condução da política monetária
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (14) que a taxa básica de juros de 14% ao ano é “injustificável” diante de uma inflação de 4%. A declaração foi feita durante entrevista televisionada e reforça a divergência do petista em relação ao ritmo adotado pelo Banco Central no combate aos preços.
Para Haddad, a política monetária está “excessivamente apertada” e poderia ser conduzida de forma menos restritiva. Segundo ele, não há justificativa para manter os juros nesse patamar quando a inflação observada fica bem abaixo da taxa. A avaliação do candidato é de que o aperto monetário atual já cumpre seu papel e passa a pesar de forma desnecessária sobre a atividade econômica.
Respeito à autonomia do Banco Central
Haddad disse manter conversas sobre política monetária com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Apesar das articulações e críticas, o petista afirmou respeitar a autonomia da instituição e reconheceu que não tem autoridade para determinar a definição da Selic.
“Converso, o presidente conversa. Agora, nós respeitamos a instituição do ponto de vista da sua autonomia. Eu não tenho nem autoridade para impor uma decisão”, declarou. A fala busca equilibrar a pressão política por uma redução dos juros com o reconhecimento formal da independência operacional do Banco Central.
Dívida pública preocupa, mas não está em recorde
Questionado sobre a dívida pública federal, que alcançou 82% do Produto Interno Bruto (PIB) em julho, Haddad admitiu preocupação com o indicador, mas rejeitou a ideia de que o país enfrente um nível histórico sem precedentes. Segundo ele, a relação entre dívida e PIB foi mais elevada durante o governo de Jair Bolsonaro.
O petista também defendeu os resultados econômicos do governo Lula. Em sua avaliação, o Brasil registra a menor inflação acumulada em quatro anos, a menor taxa de desemprego do período e crescimento equivalente ao dobro do observado nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro. Os argumentos integram a defesa do candidato sobre a capacidade do governo federal de conciliar controle inflacionário, geração de emprego e expansão da economia.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








