Eleição será 51% a 49%, mas ainda não sabemos para quem, diz Esteves
André Esteves avalia que a eleição presidencial deve ser decidida por margem mínima no 2º turno, com provável leve vantagem da direita entre os eleitores mais propensos a votar. Banqueiro defende ajuste fiscal, queda da Selic para 7% e ação já em novembro para preservar a confiança institucional.

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André Esteves, presidente do conselho do BTG Pactual, avaliou nesta segunda-feira (14) que a eleição presidencial deve ser decidida por uma margem muito estreita no 2º turno. Para o banqueiro, o pleito está “virtualmente empatado” e pode terminar em 51% a 49%, sem que seja possível indicar, neste momento, qual lado ficará com a vantagem.
Likely vote pode inclinar a disputa
Em participação no seminário Brasil Hoje, em São Paulo, Esteves destacou que pequenas mudanças no eleitorado mais propenso a votar podem alterar o resultado. Segundo ele, esse comportamento também foi observado nas últimas três eleições presidenciais.
Juros em 14% são sufocantes
Na avaliação de Esteves, o Brasil reúne condições econômicas melhores do que em outros períodos de transição presidencial. Ainda assim, considera fundamental concluir a consolidação da estabilidade econômica com uma trajetória consistente de queda da taxa básica de juros.
O banqueiro classificou a Selic em 14% como “sufocante” para empresas e bancos e defendeu que a taxa possa cair para 7%. Em sua visão, esse movimento teria efeito mais amplo sobre a atividade econômica do que programas pontuais de governo. Para viabilizá-lo, porém, será necessário avançar no equilíbrio das contas públicas e combinar política fiscal e monetária de forma coerente.
Esteves comparou essa combinação a um motorista que acelera e freia ao mesmo tempo. Nessa situação, explicou, é preciso pressionar muito mais o freio; se o pé sai do acelerador, a frenagem exigida é menor. A comparação reforça sua defesa de responsabilidade fiscal como condição para reduzir o custo do crédito sem comprometer a estabilidade.
Ajuste fiscal sem fórmula inédita
Para o banqueiro, o próximo governo terá condições de promover um ajuste relativamente simples, desde que exista disposição política. Ele afirmou que há economistas qualificados no país para apontar as três ou quatro medidas necessárias e que não há uma fórmula secreta a ser descoberta.
A proposta passa por reduzir despesas e buscar receitas sem ampliar a carga tributária. Entre os caminhos citados estão a revisão do volume de títulos isentos de impostos e mudanças que aumentem a eficiência do gasto público. Esteves rejeitou o que chama de “negacionismo econômico” a ideia de que haveria uma alternativa simples ao ajuste das contas públicas.
PEC de transição ainda em novembro
Esteves defendeu que o futuro presidente não espere janeiro para iniciar a agenda econômica. Em sua avaliação, uma nova PEC de transição poderia ser apresentada ainda em novembro, durante a formação do governo, para organizar prioridades e sinalizar compromisso com a sustentabilidade fiscal.
O banqueiro considera que medidas tecnicamente corretas têm maior chance de aprovação no Congresso, mesmo quando o governo possui baixa popularidade ou bancada limitada. Citou as reformas trabalhista, previdenciária e tributária como exemplos de mudanças estruturais aprovadas em cenários políticos complexos.
Risco institucional pesa mais
Apesar de defender que a questão fiscal tem solução conhecida, Esteves apontou o ambiente institucional como o principal risco atual do Brasil. Para ele, a preservação das instituições é mais importante do que a disputa econômica. Segundo o banqueiro, o país precisa manter segurança para investimentos e para o funcionamento do setor privado.
Setor privado pode elevar investimentos
Esteves também defendeu o aumento da taxa de investimento do país. Segundo ele, o setor privado pode ultrapassar 20% se houver condições econômicas, políticas e institucionais favoráveis; atualmente, o patamar está próximo de 16%. Juros menores, previsibilidade e regulação técnica seriam fatores decisivos para esse avanço.
Bisturi em vez de tesoura
Ao ser questionado sobre a necessidade de cortes profundos, o banqueiro preferiu defender uma revisão cirúrgica das despesas. Para ele, há medidas de eficiência que não dependem de orientação ideológica, como a revisão de regras que obrigam governos locais a destinar recursos para áreas específicas mesmo quando outras demandas da população são mais urgentes.
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