Gilmar defende transição de 18 meses para mudar regra da Ficha Limpa
Gilmar Mendes votou por uma transição de 18 meses na mudança da contagem da inelegibilidade prevista na Ficha Limpa. O julgamento foi interrompido por Flávio Dino e será analisado presencialmente pelo plenário do STF.

Divulgação
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, votou nesta sexta-feira, 11 de setembro de 2026, pela adoção de uma transição de 18 meses para alterar a forma de contar o prazo de inelegibilidade de políticos condenados pela Lei da Ficha Limpa. Mendes reconheceu a existência de vícios na norma questionada, mas defendeu a modulação dos efeitos da decisão.
Gilmar Mendes defende período de transição
O voto busca equilibrar a declaração de inconstitucionalidade com um intervalo para adaptação à nova interpretação sobre a contagem do prazo de oito anos de inelegibilidade. Como o julgamento foi interrompido antes da conclusão, a posição de Gilmar Mendes ainda não representa uma decisão definitiva do Supremo.
Voto pode beneficiar políticos condenados
A modulação proposta pode abrir caminho para as candidaturas de José Roberto Arruda, Anthony Garotinho, Sérgio Cabral e Eduardo Cunha, todos atingidos por condenações judiciais. A definição de uma janela de transição tende a preservar situações jurídicas em curso durante o período estabelecido pelo tribunal, embora os efeitos finais dependam do placar e da redação do voto vencedor.
Lei alterou o início da contagem
O caso analisa a constitucionalidade da Lei Complementar 219, de 2025, que modificou o marco inicial da contagem dos oito anos de inelegibilidade. A norma passou a adotar a data da condenação como referência, em substituição ao início do cumprimento da pena. A mudança interfere diretamente na disponibilidade de candidatos condenados em processos com decisões colegiadas.
Relatora aponta retrocesso e vício no rito
A relatora, ministra Cármen Lúcia, enviou a ação ao plenário virtual em 22 de maio e avaliou que a alteração configura retrocesso e viola princípios ligados à moralidade pública. Ela também apontou vícios no processo legislativo, especialmente mudanças aprovadas pelo Senado Federal que, segundo a relatora, não retornaram à Câmara dos Deputados para apreciação.
Flávio Dino leva o caso ao plenário presencial
O ministro Flávio Dino pediu destaque do processo no plenário virtual, suspendendo a continuidade da votação por esse sistema. Com o pedido, a ADI 7881 será submetida aos ministros em julgamento presencial. Até que o plenário conclua a análise, permanece sem definição final a validade da nova regra e o alcance da possível transição de 18 meses.
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