Flávio Bolsonaro nega intenção de mudar Constituição para permitir candidatura de parentes em 2030
Senador reafirma defesa pelo fim da reeleição e garante que, se eleito, não promoverá alterações constitucionais que viabilizem a sucessão por familiares.

Divulgação
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, declarou nesta sexta-feira (16.out.2026) que, caso seja eleito, não tem planos de alterar a Constituição Federal para permitir que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ou seus irmãos concorram à sua sucessão em 2030. A declaração foi feita durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, onde o senador também reiterou sua posição contrária à reeleição presidencial.
Fim da reeleição e a regra de inelegibilidade
Flávio Bolsonaro afirmou que, se eleito, pretende cumprir apenas um mandato, alinhado à sua defesa pelo fim da reeleição presidencial. Ele ressaltou que a intenção é evitar que um presidente eleito inicie seu governo já com o foco voltado para a disputa eleitoral seguinte. Atualmente, a Constituição Federal, em seu artigo 14, parágrafo 7º, estabelece a inelegibilidade de cônjuges e parentes de até segundo grau do presidente da República para disputar sua sucessão, com exceções para quem já exerce mandato eletivo e considerando o exercício da Presidência nos seis meses anteriores ao pleito.
Desapego ao poder e lideranças da direita
O candidato negou veementemente a intenção de modificar a regra constitucional que impede a candidatura de parentes próximos, argumentando que a sucessão por um familiar seria, na prática, uma forma de reeleição, algo que ele se posiciona contra. Flávio Bolsonaro apresentou a PEC 4 de 2026, que propõe a proibição de reeleições presidenciais, sem alterar a duração do mandato de quatro anos. Ele deixou a cargo do Congresso a decisão sobre uma eventual ampliação do período para cinco anos, mas reafirmou seu compromisso de cumprir apenas um mandato, mesmo que a reeleição permaneça em vigor. "Estou aqui me comprometendo. Eu só preciso de um mandato", declarou, enfatizando seu desapego ao poder e a existência de outras lideranças na direita capazes de dar continuidade ao seu projeto político.
Compromisso com a alternância e o futuro político
A postura de Flávio Bolsonaro busca reforçar a imagem de um político comprometido com a alternância de poder e com a renovação das lideranças. Ao se apresentar como um candidato que não almeja a reeleição e que não pretende abrir brechas constitucionais para a perpetuação de sua família no poder, ele sinaliza um distanciamento de práticas políticas que frequentemente são criticadas. A defesa da proibição da reeleição, inclusive, já foi apresentada formalmente por ele no Senado, demonstrando a consistência de sua argumentação. O senador também mencionou que a direita possui um leque de outras figuras políticas aptas a dar seguimento à agenda defendida por seu grupo, buscando transmitir a ideia de que o projeto político transcende a figura de um único indivíduo.
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