Flávio Bolsonaro defende financiamento de filme sobre o pai e compara caso à demissão na Globo
Durante entrevista, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) defendeu a legalidade do financiamento do filme 'Dark Horse', que aborda a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro. Para justificar os recursos recebidos de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, Flávio traçou paralelos com a recente demissão de um executivo do Grupo Globo e o patrocínio de uma atração da emissora, alegando que as operações eram lícitas e sem irregularidades.

Divulgação
Em uma entrevista concedida à TV Globo, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) se manifestou em defesa do financiamento do filme 'Dark Horse', que narra a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Flávio afirmou que os recursos aportados por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e outros investidores para a produção cinematográfica eram lícitos, não havendo qualquer irregularidade na operação. A declaração surge em meio a questionamentos sobre a origem dos valores e a relação de Vorcaro com outros casos polêmicos.
A defesa do financiamento de "Dark Horse"
Flávio Bolsonaro foi indagado pela jornalista Renata Lo Prete sobre o financiamento de 'Dark Horse', especialmente após a jornalista questionar o motivo de ter solicitado R$ 134 milhões a Vorcaro, sendo que o orçamento declarado pela produtora do filme era de R$ 75 milhões. Em sua resposta, o candidato mencionou o episódio envolvendo Frederic Kachar, ex-diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio do Grupo Globo, que foi demitido após a divulgação de conversas com Daniel Vorcaro. Flávio Bolsonaro comparou a situação, indicando que, embora Kachar tenha ferido o código de ética da empresa, o recebimento de verbas de Vorcaro em si não seria, em sua visão, ilegal. A jornalista, contudo, contestou a comparação, afirmando que a aquisição de espaço comercial e patrocínios por empresas como o Grupo Globo segue regras comerciais estritas e não se equipara ao financiamento privado de uma obra cinematográfica, que poderia ter diferentes implicações editoriais.
Demissão na Globo e a comparação com Frederic Kachar
A demissão de Frederic Kachar pelo Grupo Globo, ocorrida na véspera da entrevista de Flávio, repercutiu amplamente. Kachar, que trabalhou por 29 anos na empresa e era responsável por veículos como O Globo e Valor Econômico, foi desligado após a empresa identificar uma "relação inadequada do executivo com um anunciante". As mensagens trocadas entre Kachar e Vorcaro, obtidas pelas autoridades, revelaram discussões sobre negócios, patrocínios e, em um dos diálogos, o executivo teria pautado publicações do grupo sobre uma empresa ligada à então namorada de Vorcaro. O Grupo Globo reforçou seu compromisso com a ética e a transparência, assegurando que a cobertura jornalística sobre o caso Master é independente de interesses comerciais. Flávio Bolsonaro utilizou esse contexto para argumentar que, se os patrocínios de Vorcaro a eventos promovidos por Kachar eram questionáveis pela ética, mas não necessariamente ilegais, o financiamento de seu filme seguiria uma lógica semelhante de legitimidade.
Luciano Huck e o patrocínio do Banco Master
Além do caso Kachar, Flávio Bolsonaro também fez referência ao patrocínio do Banco Master ao programa apresentado por Luciano Huck na emissora. O senador afirmou que o programa de Huck teria recebido um valor expressivo, chegando a R$ 160 milhões, para veicular propaganda do banco de Vorcaro. Ele questionou, "O que tem de errado nisso? Nada", para reforçar sua tese de que os recursos de Vorcaro seriam lícitos em diferentes contextos. Embora o valor exato citado por Flávio não tenha sido comprovado, mensagens obtidas em outras investigações sugerem cifras milionárias em investimentos de empresas ligadas a Vorcaro em mídia. A Polícia Federal identificou Flávio Bolsonaro como interlocutor direto de Vorcaro nas negociações para o filme, com a investigação apontando cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento das gravações. O candidato, contudo, continuou negando irregularidades e afirmou ter procurado diferentes investidores, sendo que Vorcaro aceitou participar do projeto em um momento em que, segundo ele, não havia acusações contra o ex-banqueiro.
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