Fifa propõe repasse bilionário a federações em meio a disputa política
A FIFA apresentou uma proposta ambiciosa para distribuir bilhões de dólares às suas 211 associações-membro, elevando o repasse individual para US$ 25 milhões cada. A iniciativa, que visa destinar os lucros recordes da próxima Copa do Mundo, surge em um cenário de intensa disputa política interna, com o presidente Gianni Infantino buscando a reeleição e tentando apaziguar federações após controvérsias anteriores.

Divulgação
A Federação Internacional de Futebol (FIFA) agitou o cenário global do esporte com uma proposta de repasse financeiro que pode injetar bilhões de dólares nas contas de suas 211 associações-membro. O plano, apresentado ao Conselho da entidade, projeta a destinação de US$ 25 milhões (cerca de R$ 125 milhões na cotação atual) para cada federação no ciclo de 2027 a 2030, um aumento significativo de US$ 15 milhões em relação ao valor inicialmente previsto para cada uma.
Lucros da Copa e a fonte dos recursos
Os recursos para esta distribuição vultosa sairão diretamente das robustas reservas da FIFA, que serão substancialmente reforçadas pelas receitas projetadas da Copa do Mundo de 2026. Este será o primeiro Mundial disputado com 48 seleções, o que naturalmente impulsiona as cifras. A entidade máxima do futebol estima alcançar um superávit recorde de até US$ 5,6 bilhões (aproximadamente R$ 28 bilhões) no ciclo de 2023 a 2026. Embora essa projeção ainda aguarde auditoria, ela demonstra a capacidade financeira da FIFA para sustentar um programa dessa magnitude.
Detalhamento da distribuição bilionária
O orçamento do programa FIFA Forward 4.0 já havia reservado US$ 2,7 bilhões para o próximo quadriênio. Com a nova proposta, um adicional de US$ 3,65 bilhões é acrescentado, elevando o financiamento total para incríveis US$ 6,35 bilhões. Este montante não contemplará apenas as associações nacionais, mas também as confederações e outros beneficiários. O detalhamento do plano eleva o repasse para cada associação nacional de US$ 10 milhões para US$ 25 milhões. Além disso, prevê US$ 99 milhões para cada confederação continental e US$ 8,25 milhões para cada associação regional.
A iniciativa da FIFA vai além, estabelecendo fundos adicionais para necessidades específicas. Cerca de 100 associações-membro poderão receber um extra de US$ 1,1 milhão por federação para cobrir despesas com viagens e equipamentos. Outros R$ 240 milhões estão destinados a demandas específicas, com foco especial no desenvolvimento do futebol feminino e das categorias de base, evidenciando um compromisso com a expansão e o fortalecimento do esporte em diversas frentes.
O pano de fundo da disputa política na FIFA
A apresentação dessa proposta generosa não ocorre em um vácuo. Ela surge meses após a FIFA ter abandonado um controverso plano de criar uma empresa com capital privado para concentrar os direitos comerciais e esportivos de seus torneios. Esse projeto anterior havia gerado fortes críticas e resistência de diversas federações e confederações, incluindo a UEFA (União das Associações Europeias de Futebol) e a Concacaf (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe), que cobraram mais transparência e um uso mais direto das reservas da FIFA para beneficiar os membros.
Essas entidades, inclusive, defenderam que a FIFA garantisse ao menos US$ 10 milhões adicionais a cada associação, um valor que o novo plano proposto por Gianni Infantino, presidente da FIFA, superou amplamente. Na reunião de quinta-feira, Infantino se desculpou pela condução e comunicação do projeto anterior, declarando-o definitivamente abandonado. Este movimento estratégico ocorre em um momento chave: Infantino se prepara para disputar a reeleição. O Congresso que escolherá o presidente está marcado para 18 de março de 2027, em Rabat, no Marrocos, e, até o momento, a oposição não apresentou um candidato.
Próximos passos até a aprovação
O Conselho da FIFA deve finalizar o plano em dezembro, o que incluirá a definição dos critérios de acesso, liberação, fiscalização e auditoria dos recursos. Após essa etapa, a proposta será submetida à aprovação do Congresso em março de 2027. A aceitação deste plano é crucial para Infantino, representando um importante passo para consolidar seu apoio e assegurar sua permanência na presidência da entidade máxima do futebol mundial.
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