Flávio Bolsonaro considera modelo de El Salvador "pouco" para segurança no Brasil
Candidato à Presidência pelo PL defende ampliação massiva de vagas em presídios e castração para condenados por crimes sexuais, superando o modelo adotado por Nayib Bukele.

Divulgação
O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), declarou nesta terça-feira (13.out.2026) que o modelo de segurança pública implementado em El Salvador é insuficiente para as necessidades do Brasil. Durante o Grande Encontro do Associativismo, realizado em São Paulo, o político apresentou propostas que visam um endurecimento ainda maior das políticas de segurança, com foco na expansão do sistema carcerário e na aplicação de medidas rigorosas contra criminosos.
Propostas de ampliação do encarceramento e medidas drásticas
Flávio Bolsonaro expressou sua visão de que suas propostas são ainda mais radicais do que as adotadas pelo país centro-americano. "Aqueles que acham que eu sou radical na segurança pública não viram nada ainda. Eu já estou trocando uma ideia com o Derrite [senador eleito do PP-SP] porque eu estou achando que El Salvador é pouco", afirmou, em clara referência ao plano de segurança do presidente salvadorenho Nayib Bukele. A declaração sinaliza uma intenção de ir além das políticas de encarceramento em massa que têm sido associadas ao país latino-americano.
Expansão do sistema prisional e castração química como punição
Em sua fala, o candidato detalhou suas intenções, propondo a criação de mais de 500 mil novas vagas no sistema prisional brasileiro. Além disso, defendeu a adoção da castração química como medida punitiva para condenados por crimes sexuais, como estupro e abuso contra mulheres e crianças. "Vamos fazer mais de meio milhão de vagas de presídio para prender estuprador e abusador de mulher e criança, vai sofrer castração e vai ficar preso muito mais tempo", declarou, enfatizando a gravidade e o tempo de permanência no cárcere para esses crimes.
O modelo de El Salvador e as críticas internacionais
O modelo de segurança de El Salvador, liderado por Nayib Bukele, é notório pelo seu combate ostensivo às gangues, que resultou em um regime de exceção com suspensão de garantias constitucionais e prisões sem mandado judicial. Este estado de exceção, renovado diversas vezes desde março de 2022, tem sido alvo de severas críticas por parte de organizações internacionais de direitos humanos. Relatos de prisões arbitrárias, tortura e violações do acesso à justiça, além de um número elevado de mortes sob custódia estatal, foram documentados pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos e pela Anistia Internacional, que apontam para abusos sistemáticos e falta de critérios claros nas detenções.
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