Fachin não pode permitir que Master atrapalhe as eleições, diz Lula
Durante entrevista ao podcast Desce a Letra, Lula cobrou do presidente do STF cuidados para que o caso Master e as tensões envolvendo a Corte não interfiram no processo eleitoral de outubro. O presidente também elogiou Alexandre de Moraes e voltou a criticar Flávio Bolsonaro.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (16) que Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), tem a responsabilidade de impedir que as investigações envolvendo o Banco Master e seus desdobramentos políticos interfiram no processo eleitoral de outubro. A declaração foi feita durante entrevista ao podcast Desce a Letra.
Preocupação com o processo eleitoral
Para Lula, a sucessão diária de revelações e acusações sobre valores, familiares e pessoas ligadas ao caso exige cautela das instituições. Segundo o presidente, o ritmo das informações tem mantido a sociedade sob tensão e pode desviar o foco do pleito.
“O que não dá é a sociedade ficar assistindo a esse denuncismo. Fulano pegou não sei quantos milhões, fulano pegou não sei quantos milhões do filho de não sei quem, o pai de não sei quem, a mãe de não sei quem. E a sociedade atônita ouvindo tudo isso todo santo dia”, afirmou.
Crise no STF e caso Master
Ao abordar o Banco Master, Lula não citou nominalmente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas relacionou a instituição a uma indicação feita durante o governo do presidente da República à época, Roberto Campos. Ele disse que o banco teria sido criado quando Campos comandava o Banco Central.
Lula também defendeu que a esquerda foi responsável por medidas adotadas no passado contra a instituição financeira. “Quem acabou? Fomos nós. Nós acabamos com o Banco Master. Nós prendemos o banqueiro deles porque era um ladrão”, declarou. A fala insere o caso em um novo capítulo das disputas políticas em torno do STF e das investigações em curso.
Elogio à atuação de Alexandre de Moraes
O presidente também elogiou o ministro Alexandre de Moraes, relator do julgamento da trama golpista. Lula classificou a condução do processo como um “trabalho extraordinário” e disse que as decisões do ministro ajudaram a preservar a democracia e a responsabilizar envolvidos no episódio.
“Acho que Alexandre de Moraes fez um trabalho extraordinário para garantir a democracia desse país, prendendo Bolsonaro e os golpistas que estão com ele”, afirmou. A declaração reforça o apoio do petista ao magistrado em um momento de elevada polarização política.
Críticas a Flávio Bolsonaro
Lula voltou a mirar Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do partido à Presidência. Segundo o petista, o senador estaria nervoso com a possibilidade de novas revelações sobre sua atuação e sua vida pública. Lula mencionou ainda valores que afirma terem sido recebidos pelo senador, sem apresentar detalhes adicionais durante a entrevista.
As declarações ampliam o tom de confronto entre os dois lados no cenário eleitoral. Ao mesmo tempo em que defende a atuação de Moraes e cobra responsabilidade de Fachin, Lula busca associar adversários políticos às investigações e às tensões envolvendo o Banco Master. O episódio deve reacender o debate sobre os limites entre Justiça, instituições democráticas e campanha eleitoral.
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