Fachin e Gilmar faltam a eventos após sessão conturbada no STF
Edson Fachin e Gilmar Mendes deixaram de comparecer a compromissos públicos nesta quarta-feira, um dia após uma sessão marcada por atritos entre ministros do Supremo Tribunal Federal. O julgamento foi suspenso depois do pedido de vista de Flávio Dino.
Os ministros Edson Fachin e Gilmar Mendes deixaram de comparecer a compromissos públicos na manhã desta quarta-feira (16). As ausências ocorreram um dia após uma sessão tensa no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), marcada por debates acalorados entre integrantes da Corte.
Compromissos públicos sem a presença dos ministros
Fachin, presidente do STF, estava confirmado na abertura do seminário “Assédio Eleitoral e o seu Enfrentamento”, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que também preside. Gilmar Mendes participaria do Congresso Internacional de Direito Minerário, organizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
A organização do encontro de direito minerário informou que o ministro não esteve presente por causa de compromissos no Supremo. Entretanto, a agenda oficial da Corte para quarta-feira registrava apenas atividades dos ministros Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, sem detalhar compromissos de Gilmar ou Fachin.
Julgamento foi marcado por ataques diretos
As ausências foram registradas depois do julgamento iniciado na terça-feira (15), no qual os ministros analisaram o relatório da Polícia Federal que menciona a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A sessão foi interrompida em meio a divergências envolvendo também o ministro André Mendonça.
Durante os debates, Gilmar criticou a decisão de Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Ele classificou o ato como “vexame” e “falta de noção” e afirmou que o relator conduzia o inquérito com “inequívoco viés político-eleitoral”. Gilmar também questionou a origem de vazamentos de informações sigilosas do processo.
Mendonça reagiu dizendo que Gilmar era “leviano”. O decano do STF respondeu que “quem não se dá respeito não merece respeito” e criticou o acúmulo de informações sigilosas sobre outros ministros nas mãos de um único integrante da Corte. Fachin tentou conter os embates, mas não conseguiu evitar a deterioração do clima entre os ministros.
Flávio Dino pede vista e suspende a análise
Diante do desgaste, Flávio Dino cobrou uma postura mais firme da Presidência do STF. O ministro afirmou que Fachin assistia “há horas” aos ataques entre os integrantes do colegiado e acusou a condução do tribunal de provocar uma degradação técnica e ética.
Dino pediu vista do processo por entender que não havia condições de continuar a deliberação naquele ambiente. Antes da suspensão, Fachin colheu os votos de Luiz Fux e Cármen Lúcia, mas a análise das questões relacionadas aos casos de Alexandre de Moraes e André Mendonça ficou interrompida até o retorno do processo ao plenário.
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