Eu não era presidente quando Moraes foi indicado ao STF, diz Lula
Lula rejeitou a associação entre seu governo e a indicação de Alexandre de Moraes ao STF. Presidente criticou a estratégia da oposição e defendeu a apuração de eventuais irregularidades.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não tem relação com a indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal (STF), ocorrida em 2017. Durante entrevista ao podcast Desce a Letra, gravada no Palácio da Alvorada, Lula disse que não ocupava a Presidência da República naquele período e rejeitou a tentativa da oposição de vincular ministros da Corte ao seu governo.
Lula rebate narrativa da oposição
O petista sustenta que adversários políticos modificam a narrativa sobre os fatos para associar integrantes do STF ao governo federal. Segundo Lula, a campanha trabalha para apresentar aos eleitores a sequência dos acontecimentos e afastar a imagem de que Moraes foi indicado por sua influência política.
“Eu não era presidente quando Alexandre de Moraes foi indicado para a Suprema Corte”, declarou Lula. O presidente também afirmou que eventuais irregularidades devem ser investigadas, independentemente da função exercida pelo investigado. “Todo mundo que cometeu erro em qualquer área deve ser julgado. Isso vale para mim, para o Moraes, para o Fachin, para qualquer um de nós aqui”, disse.
Indicação ocorreu no governo Temer
Alexandre de Moraes foi indicado ao STF em fevereiro de 2017 pelo então presidente Michel Temer (MDB). A escolha foi aprovada pelo plenário do Senado com 55 votos favoráveis, 13 contrários e 13 abstenções. Na ocasião, Lula estava fora do governo e encontrava-se em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo.
A tentativa de atribuir a Flávio Bolsonaro responsabilidade pelo voto no Senado também não corresponde ao cargo que o atual senador ocupava naquele momento. Em 2017, Flávio era deputado estadual no Rio de Janeiro. Ele só foi eleito para o Senado em 2018 e assumiu a cadeira em 2019.
Campanha busca separar imagens
A equipe política de Lula pretende reforçar o histórico de Alexandre de Moraes antes e depois de sua chegada ao STF. A estratégia busca reduzir a associação entre o ministro e o petista, destacando que a indicação partiu do governo Temer e que Moraes já adotou posições contrárias a Lula em momentos anteriores.
Ao mesmo tempo, o Palácio do Planalto procura reduzir o desgaste provocado pela aproximação pública entre Lula e a Presidência do STF. O episódio evidencia a disputa política em torno da imagem dos ministros e a tentativa da campanha petista de transferir para a oposição a responsabilidade pela narrativa construída durante a crise.
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