Erika Hilton aciona TSE contra 'Tropa do Flávio', citando caso 'Exército do Lula'
A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a suspensão do canal ‘Tropa do Flávio’ no WhatsApp. A parlamentar argumenta que o grupo, supostamente gerido por Nikolas Ferreira em apoio a Flávio Bolsonaro, não possui registro na Justiça Eleitoral, espelhando o argumento usado para a suspensão anterior do canal ‘Exército do Lula’, ligado a André Janones.

Divulgação
A disputa eleitoral ganha novos contornos no ambiente digital, com a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) elevando ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido de suspensão para o canal “Tropa do Flávio” no WhatsApp. A ação, movida nesta terça-feira, argumenta que o grupo não possui o devido registro na Justiça Eleitoral, o mesmo fundamento que levou à interdição temporária do canal “Exército do Lula”, gerido pelo deputado André Janones (Rede-MG) em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em sua manifestação pública, a deputada Hilton destaca que o canal “Tropa do Flávio” é operado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), com a finalidade de apoiar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições. Assim como o “Exército do Lula”, que se tornou uma ferramenta de mobilização e engajamento para a campanha petista, a “Tropa do Flávio” atua como um polo de apoio e difusão de mensagens eleitorais, levantando questionamentos sobre a simetria no tratamento legal de ambas as plataformas.
Ações do TSE e a busca por isonomia
O caso se desdobra após uma série de decisões do TSE envolvendo o canal “Exército do Lula”. Inicialmente, o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do grupo pró-Lula, medida que foi revista e o canal reativado após a campanha petista regularizá-lo com o devido registro na Justiça Eleitoral. Para Erika Hilton, essa mesma prerrogativa de registro deveria ser aplicada à “Tropa do Flávio”. A parlamentar questiona a aparente dualidade de critérios, afirmando que "somente o canal de apoio a Lula e seus 4 milhões de membros estão sendo censurados pelas decisões do presidente do TSE", enquanto o grupo adversário permanece ativo sem a mesma exigência.
Além da falta de registro, a congressista alega que o canal “Tropa do Flávio” tem sido um vetor de desinformação eleitoral. Entre as acusações, estão a publicação de imagens falsas de uma jovem em um ato político e a divulgação de uma imagem gerada por inteligência artificial com conteúdo racista, retratando uma mulher negra em uma estação de metrô da Avenida Paulista. Essas denúncias reforçam a preocupação com a integridade do debate eleitoral nas plataformas digitais e a necessidade de responsabilização por conteúdos inverídicos ou preconceituosos.
O alcance dos canais e a polêmica do registro
A relevância desses canais digitais é inegável, dada a expressiva quantidade de seguidores que ambos atraíram em pouco tempo. O “Exército do Lula”, criado em 5 de outubro, acumulou impressionantes 4,3 milhões de membros até esta terça-feira. No dia seguinte, 6 de outubro, surgiu a “Tropa do Flávio”, que, embora menor, já alcança cerca de 1,5 milhão de seguidores. O volume de pessoas alcançadas por essas ferramentas de comunicação sublinha a urgência do debate sobre sua regulamentação e as regras que devem pautar a atuação no cenário eleitoral. A assessoria do deputado Nikolas Ferreira foi procurada para comentar o caso, mas até o momento não houve manifestação.
O histórico do “Exército do Lula” no TSE é complexo. Após a suspensão inicial determinada por Nunes Marques, o canal foi restabelecido em tempo recorde pelo corregedor-geral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, mediante o registro oficial da campanha. No entanto, uma nova decisão de Nunes Marques estabeleceu condições claras para a reativação, incluindo a comunicação formal do endereço do canal à Justiça Eleitoral. A campanha de Flávio Bolsonaro foi quem inicialmente moveu a ação contra o canal lulista, alegando disseminação de desinformação, o que Janones nega, apesar de ter confirmado a exclusão de centenas de mensagens do grupo, apontando para a dificuldade de fiscalização e a necessidade de clareza nas normativas.
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