Dino diz ter dificuldade para dormir com “barulho” no STF
Durante palestra na UFMA, o ministro Flávio Dino afirmou que as tensões vividas pelo Supremo Tribunal Federal têm dificultado seu descanso. A declaração foi feita em meio aos embates internos envolvendo Alexandre de Moraes, André Mendonça e a condução do diretor-geral da Polícia Federal.

Divulgação
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira (11 de setembro de 2026) que tem enfrentado dificuldades para dormir em razão das tensões vividas pela Corte. A declaração foi feita durante uma palestra na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luís, onde o magistrado atuou como professor.
Dino usou a palavra “barulho” para se referir ao momento político e institucional enfrentado pelos ministros. Sem citar episódios específicos, ele destacou que as dificuldades do STF são conhecidas publicamente e comparou o retorno à universidade à sensação de encontrar descanso em meio ao cenário de crise.
Viagem atrasada e noite sem descanso
Segundo o ministro, o voo para São Luís sofreu atraso e ele chegou à capital maranhense por volta das 2h. Após os compromissos da viagem, tentou dormir às 4h, mas disse que as preocupações com os rumos do Supremo não permitiram que descansasse.
“Eu queria dormir e minha cabeça não deixava. E eu dizia: ‘Vamos dormir’. E ela dizia: ‘Como que dorme com um barulho desse?’”, afirmou Dino. A fala reforça o peso político dos embates internos que passaram a ocupar o centro dos debates no STF nas últimas semanas.
Embate entre Alexandre de Moraes e André Mendonça
A crise ganhou novo capítulo em 1º de setembro, quando André Mendonça retirou o sigilo de documentos da Polícia Federal que continham conversas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Após analisar o material, Mendonça pediu ao plenário que avaliasse a possibilidade de investigar o colega.
Em 3 de setembro, Alexandre de Moraes reagiu e solicitou a abertura de investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade. Dois dias depois, o presidente do STF, Edson Fachin, assumiu a condução dos procedimentos relacionados ao embate entre os ministros.
Decisões sobre o diretor-geral da Polícia Federal
A tensão aumentou em 8 de setembro, quando Mendonça afastou cautelarmente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, após questionar a produção de um relatório de inteligência da corporação. No dia seguinte, Flávio Dino determinou a volta de Andrei ao cargo.
Edson Fachin interveio no caso e suspendeu as duas decisões, mantendo Andrei Rodrigues na função. A sequência de medidas e contramedidas ampliou a disputa institucional e elevou a expectativa sobre as próximas deliberações do plenário.
STF deve analisar pedidos em setembro
Fachin marcou para terça-feira (15 de setembro) a análise do caso relacionado a Alexandre de Moraes. Já o pedido de investigação contra André Mendonça está previsto para julgamento em 23 de setembro, conforme a agenda organizada pela Presidência da Corte.
Foi diante desse cenário que Dino classificou o retorno à UFMA como uma espécie de refúgio. “Todo mundo sabe as dificuldades que a gente está vivendo e, portanto, estar aqui é como você estar numa cama quentinha”, disse o ministro, em referência ao ambiente universitário e ao contraste com o momento enfrentado pelo Supremo.
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