Damares diz que eventual impeachment de Moraes não deve avançar em 2026
A senadora Damares Alves avalia que um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes deve ganhar força somente em 2027, após a eleição da nova Mesa Diretora do Senado. Ela também defendeu mudanças na composição e na fiscalização do STF.

Divulgação
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou nesta terça-feira (15 de setembro de 2026) que não acredita na abertura de um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, ainda em 2026.
Na avaliação da senadora, o rito necessário para a tramitação do pedido, incluindo prazos para defesa e oitiva de testemunhas, não caberia nos dois meses restantes do ano legislativo. Além disso, o Congresso Nacional ainda deverá votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027. A marcha do processo também depende da formação de apoio político e da condução da Mesa Diretora da Casa.
Expectativa para fevereiro de 2027
Damares projeta que o tema avance a partir de 2 de fevereiro de 2027, quando a nova legislatura do Senado tomará posse. A senadora espera que a oposição consiga maioria na Casa e que a eleição da nova Mesa Diretora seja seguida pela abertura de pedidos de impedimento contra o ministro.
A oposição também articula um nome alternativo ao do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), atual presidente do Senado. Damares citou a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como uma possibilidade, mas destacou que a decisão ainda será discutida internamente pelos partidos.
Críticas a Alexandre de Moraes
Questionada sobre uma possível renúncia de Alexandre de Moraes, a senadora disse que ele não deixará o cargo porque considera o ministro convencido de que é “intocável” e se comporta como “um deus”. Damares afirmou ainda que não busca apenas o impedimento: “Eu acho que ele cometeu crimes graves e ele tem que ser preso”.
As acusações expressam a posição política da senadora. Qualquer responsabilização criminal, no entanto, depende de apuração, garantia de defesa e decisão da Justiça, conforme o devido processo legal.
Reforma do Judiciário
Damares defendeu um pacote de mudanças no Judiciário, reunindo propostas discutidas no Congresso Nacional. Entre os pontos citados está a criação de um conselho de ética formado por ministros do STF para apurar condutas que não sejam classificadas como crime de responsabilidade, mas que possam receber sanções internas.
A senadora também propôs revisar o uso de decisões monocráticas e o tempo de permanência dos ministros na Corte. Outra ideia é alterar o modelo de indicação para o STF, permitindo que Senado e Câmara apresentem nomes, hoje escolhidos exclusivamente pelo presidente da República.
O pacote inclui ainda impedir que cônjuges e filhos advogados dos ministros atuem em processos dentro do próprio STF. Damares também criticou práticas como palestras remuneradas e eventos privados, classificando parte dessas atividades como “festinha”. As propostas ainda dependem de debate, negociação e aprovação pelo Congresso Nacional.
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