Cinco ministros do STF receberam dados extraídos do celular de Vorcaro
Até 17 de setembro de 2026, cinco ministros do STF receberam cópias dos dados brutos extraídos pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro. O compartilhamento ocorre por ofício, enquanto permanecem sem solução os questionamentos sobre investigações envolvendo ministros e a redistribuição das relatorias do Banco Master.

Divulgação
Até a quinta-feira, 17 de setembro de 2026, cinco dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal receberam cópias dos dados brutos extraídos pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Os ministros que já obtiveram o material são André Mendonça, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.
Compartilhamento passou a ser feito por ofício
A primeira cópia do HD com mensagens, arquivos e outros elementos utilizados pela Polícia Federal foi encaminhada a Cristiano Zanin. Ele havia pedido ao presidente do STF, Edson Fachin, que os dados fossem distribuídos aos demais colegas. Após questionamentos sobre o tratamento e a preservação do material, o envio passou a ser solicitado diretamente à direção da corporação por meio de ofícios.
Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes foram os primeiros a receber as informações. Os três oficiaram o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em razão do julgamento iniciado em 15 de setembro, que incluía a análise de um relatório sobre conversas atribuídas a Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes.
Dados chegaram ao STF durante julgamento
Durante a sessão, vieram à tona mensagens que relacionavam Vorcaro aos filhos dos ministros Kássio Nunes Marques e Luiz Fux. Nunes Marques já solicitou acesso ao conjunto de dados, mas ainda não havia recebido o material até o fechamento das informações disponíveis nesta quinta-feira.
André Mendonça mantinha em seu gabinete uma cópia lacrada dos dados brutos. Depois de episódios de vazamento, Mendonça e Fux solicitaram à Polícia Federal novas cópias do HD, que também foram encaminhadas aos demais ministros. O material contém informações brutas e não representa, por si só, conclusão sobre eventual responsabilidade criminal de qualquer pessoa citada nas conversas.
Relatorias do Banco Master seguem suspensas
Mendonça atuava como relator de processos relacionados ao Banco Master e às fraudes envolvendo descontos em benefícios do INSS. Em 12 de setembro, Fachin determinou a suspensão provisória dessas relatorias. A medida ocorreu antes da apreciação pelo plenário de pedidos de investigação que envolvem Alexandre de Moraes e André Mendonça.
A análise pode ser adiada para meados de dezembro após Flávio Dino apresentar pedido de vista. Fachin indica que não deve assumir a relatoria dos casos, enquanto Mendonça não pode retomar decisões sem a devolução dos processos. Com isso, os dois conjuntos de investigações permanecem, na prática, paralisados.
STF debate limites de novas investigações
O relatório produzido pela Polícia Federal para identificar parte das conversas de Vorcaro ampliou a discussão interna no STF sobre os limites para apurar eventual envolvimento de ministros em negócios sob investigação. A sessão iniciada em 15 de setembro foi interrompida pelo pedido de vista de Dino, adiando uma decisão sobre o tema.
Além disso, Alexandre de Moraes solicitou a abertura de investigação contra André Mendonça por suposto abuso de autoridade e improbidade administrativa. Fachin determinou que o julgamento desse pedido aguarde a definição de uma questão de ordem: se o caso envolvendo Vorcaro e Moraes será analisado separadamente ou em conjunto com os demais questionamentos em tramitação na Corte.
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